domingo, 4 de novembro de 2012

Introdução à Desconhecida Pré-História Brasileira


Por Oleg I. Dyakonov


Em 1938, chegou ao Rio de Janeiro o escritor, jornalista e pesquisador alternativo britânico Harold Tom Wilkins, que procurava testemunhos das misteriosas cidades perdidas do Brasil pré-histórico. Em busca das quais, desapareceu, em 1925, seu famoso compatriota, o coronel Percy Harrison Fawcett.

Mapa desenhado pelo pesquisador Harold Wilkins em 1949, mostrando os mistérios do Matto Grosso.
 
Nessa época, segundo relata Wilkins, ele “não achou nenhum grande entusiasmo pelos mistérios do passado remoto dessa grande terra”. Ao perguntar sobre as antigas ruínas do Brasil a um professor de economia e geografia, o qual tinha cadeira em uma famosa universidade brasileira, obteve a seguinte resposta.

Testemunho de um professor de economia e geografia de uma universidade do Rio de Janeiro (citado por Harold T. Wilkins, 1938-1939):
 
Não há ruínas antigas nas serras e sertão do Brasil, senhor. Nenhum vestígio da cultura antiga, nenhuma ruína, como as que o senhor tem no Iucatã maia ou nas selvas de Honduras e Guatemala. Tudo o que havia aqui, quando Dom Pedro Cabral avistou aquilo que agora é o Rio de Janeiro, em 1500 d.C., tudo o que temos aqui agora, são índios primitivos, na etapa de caça e pesca. Eles vivem em cabanas e clareiras na selva e nas matas, pelas barras dos rios, no Amazonas e Mato Grosso. No nosso sertão há mato, brejo, deserto, mas nenhum monumento como aqueles do Peru” (“Mysteries of Ancient South America”).

Aldeia dos Coroados, em gravura do livro Reise in Brasilien (Viagem pelo Brasil), de Spix e Martius. Representação comum do passado pré-histórico do Brasil.


A mesma opinião foi dada pelo outro interlocutor de Wilkins.

Testemunho de um fazendeiro do Sul (citado por Harold T. Wilkins, 1938-1939):

Conheci outro encantador cavalheiro, cujo pai tinha sido um dos fazendeiros, ou senhores patriarcais de terras, do tipo mais antigo do Sul, dos coloridos dias do Império Brasileiro. Estava sentado em uma cadeira de cana, na sua varanda, banhada pela luz da lua brilhante, enquanto os pirilampos flamejavam através da escuridão aveludada, lançada por altas árvores, sob um céu brilhantemente estrelado.

Agitando suas brancas mãos de anéis em direção às águas da Baía do Rio, que marulhavam suavemente, censurou o tolo desperdício da energia por pessoas inquietas e curiosas, que não aceitam os dons dos deuses quando os encontram. Sorriu aos loucos de estrangeiros, ingleses ou americanos, que necessariamente devem empurrar seus narizes na mata e no sertão do Brasil interior, com seus insetos de dentes de sabre, carrapatos horríveis, febres malignas, mandíbulas estalantes de tarântulas hediondas, os barbeiros (besouros barbeiro-cirurgião de barracas de madeira em Goiás), com suas trombas de germes patogênicos. Ferozes onças, cobras e índios bravos, antropófagos às vezes, caçadores de cabeças em muitas ocasiões, que ressentem e castigam com uma morte súbita, se o intruso persistir, qualquer penetração nos seus matos” (“Mysteries of Ancient South America”).

No entanto, houve também outra visão da pré-história do país entre os intelectuais brasileiros. Se Wilkins tivesse consultado ao seu tempo a Tanus Jorge Bastani, historiador, advogado, jornalista e poeta brasileiro de origem libanesa, obteria uma resposta totalmente contrária.

Assombroso testemunho de Tanus Jorge Bastani (1957):

Antes da descoberta oficial do Brasil, muitos séculos antes da própria civilização europeia, os nautas fenícios, antepassados dos atuais libaneses, estiveram em nossas plagas americanas. Também os escandinavos, tais como: dinamarqueses e outros Vickings, exploraram as regiões de Basiléia e deixaram preciosos documentos escritos.

Nas margens dos Rios Tocantins, Amazonas, São Francisco e outros mais, os indícios, inscrições, caracteres e letreiros cuneiformes, são veementes atestados e desmentem aos pseudos doutos da nossa pré-história.
 
Foram regiões que não foram somente percorridas e exploradas em suas riquezas: no interior da Bahia se encontram vestígios de antigas e poderosas cidades de outrora. Nos Estados do Amazonas, Pará, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Santa Catarina, jazem os restos de uma milenar civilização, que estacam e maravilham os olhos do investigador histórico. Não é preciso ser um sábio para conhecer a sua origem, pois os próprios leigos contam fatos que já se transmudaram em lendas a respeito desses lugares que passam despercebidos aos olhos de nossos governantes, porque tais coisas não incidem em impostos...

Serra dos Galés, Paraúna/GO.Várias formações rochosas parecem, de fato, construções milenares muito erodidas (fotografia de J. A. Fonseca).

Nas margens do Rio Tocantins, no seu lado direito, não só nas imediações da antiga Vila de Alcobaça, como no sertão baiano, divisor com o Estado de Goiás, as ruínas das cidades se espalham constantemente, encontrando-se comumente paredões de pedras superpostas, assim como poços, a que hoje chamamos cacimbas, como muralhas não apenas de pedra, mas de calcários que a engenharia antiga, parecendo mesmo ser anterior à de Arquimedes, buscou perpetuar os faustos dessa civilização que morreu no esquecimento de uma nova raça que surgiu nas terras das Américas, a qual, sem procurar as consequências do futuro, procura a vida bacanal do presente, esquecendo os exemplos dignificantes de um passado glorioso, que talvez muito sobrelevasse ainda mais a grandeza da jovem Nação, que surgiu sob os alicerces daquela que jáz na poeira dos séculos!

As civilizações maia, inca, e azteca, não apenas proliferaram na zona do Oceano Pacífico, como também buscaram o litoral atlântico. Temos, no Museu Nacional, autênticas provas, inclusive fotografias de inúmeros lugares, buscadas pelos nossos cientistas e ainda as que se encontram no Departamento Cinematográfico do Ministério da Agricultura, este sob a chefia do eminente e patriota brasileiro, Dr. Pedro Mallet Lima, trazidas dos altos sertões do Guaporé e de outras regiões do Brasil. No Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no Arquivo Nacional, na Biblioteca Nacional e outros templos do saber e do civismo, vamos encontrar documentos, informes e outros relatórios, cuja descrição é farta, mananciais que bem indicam não só roteiros, mas locais, da existência de uma pré-civilização que existiu no País.

[...] Quando os jesuítas espanhóis conseguiram a amizade do gentio Charrua na região limítrofe do atual Rio Grande do Sul com a Argentina, ali já encontraram vestígios de uma remota civilização e muitos alicerces de uma grande cidade. Esse território antigo das Missões, hoje são pacatas cidadezinhas gaúchas, que encerra nas entranhas daquela terra chã, nas infindáveis campanhas campeiras, tesouros ocultos e jazidas minerais abandonadas.

Na região do atual Município de Conceição do Araguaia, no Estado de Goiás, existem vestígios de uma antiga cidade, encontrando-se o seu local coberto por uma extensa vegetação e florestas.

Na localidade denominada Alcobaça, à margem do Rio Tocantins, os vestígios de uma antiga cidade, inclusive de tanques e açudes, são bem visíveis aos olhos dos leigos. Inúmeras as inscrições e caracteres cuneiformes são encontrados gravados ou escritos em lajes e pedras.

Pelo interior da Amazônia, principalmente na região Norte, jamais puderam os nossos doutos desvendar os segredos guardados no interior da imensidão florestal. Cidades perdidas, restos de uma civilização milenar, jazem em ruínas, enfrentando os séculos e a falta de civismo dos nossos responsáveis, numa espera infindável de que a nossa gente vá conhecê-las e explorá-las.

O atual território da Rondônia encerra, em suas virgens regiões, inúmeras ruínas de antigas povoações e cidades.

Misteriosos petróglifos da famosa Pedra do Ingá, no interior do Estado da Paraíba, no Nordeste do Brasil (fotografia de Leonardo H. Chaves).



As inscrições cuneiformes, os hieróglifos e caracteres que se encontram gravados em todos os lugares do interior do Brasil, são atestados vivos e encerram mistérios ainda não desvendados pela nossa inexistente arqueologia. [...]

Antônio Dias Adorno, o valente italiano, genro de Caramuru, organizador e primeiro bandeirante que investiu pela zona dos índios Aimorés, Botecudos e Cataguás, percorrendo tôda a região do famoso e infeliz Vale do Rio Doce, em seus relatos, descrevia as belezas naturais e o mistério das ruínas que encontrou em sua Bandeira, na zona limítrofe do Estado de Minas com o seu co-irmão Espírito Santo, quando investigava na região da Serra do Caparaó, justamente nos locais onde estão situadas as mais altas montanhas, isto é, o pico da Bandeira.

É bastante conhecida a riqueza que se encontra na Serra do Caparaó. Muito ouro e minerais de valor, assim como vultosas quantidades de pedras preciosas foram encontradas naquela região. Contam que, em épocas remotas, manadas de gado vacum e cavalar se dispersaram nos vales e planaltos situados no Caparaó. Ali, durante séculos aberraram-se e hoje, de vez em quando, são encontrados esses animais em diminutos tamanhos. Um fazendeiro encontrou, certa vez, uma vaca que tinha, apenas, meio metro de altura, mais se parecendo com um bezerro.

No Nordeste Brasileiro, principalmente nos Estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, são positivos os indícios de antigas civilizações que ali existiram. Em João Pessoa, Capital da Paraíba; em Natal, Capital do Rio Grande do Norte; e nas regiões circunvizinhas à Fortaleza, Capital do Ceará, encontram-se túneis, grutas subterrâneas e não se conhecem suas origens.

No Estado de Sergipe, a natureza pródiga beneficiou esse pequeno e admirável rincão, dotando-o de riquezas jamais calculadas. As cavernas e furnas infindáveis que se espalham em seu território, ainda não foram desvendadas. Na zona banhada pelo Rio das Pedras, nas proximidades da encantada Serra Negra, na linha divisória com o Estado da Bahia, existiu outrora uma bela cidade, encontrando-se vestígios de suas ruínas. Belchior Dias Moreira, o infeliz aventureiro e verdadeiro Muribeca, descobriu o seu incalculável tesouro de ouro e prata, naquele local. Hoje, é pleno sertão, inóspito e abandonado.

A fronteira do Brasil com as Repúblicas Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia, é riquíssima em ruínas de antigas cidades. Seu solo jamais foi revolvido ou estudada arqueologicamente a região (“Minas e minérios no Brasil. Tesouros, cidades pré-históricas e minas abandonadas”).

Nossa análise da situação atual

Tais são as assombrosas revelações do Dr. Bastani, expostas no seu livro “Minas e minérios no Brasil: tesouros, cidades pré-históricas e minas abandonadas”, publicado em 1957, após 20 anos da visita de Wilkins ao Brasil.

Durante muito tempo, a ciência oficial manteve firmemente a posição do interlocutor de Wilkins, o professor de economia do Rio, e nada parecia ser capaz de romper essa fortaleza. O Brasil, país que no presente está rapidamente ganhando peso político e econômico (há pouco foi declarado como a sexta economia do mundo), tradicionalmente, esteve privado cientificamente de grandes pré-civilizações no seu passado.

É um dos maiores países do mundo, com uma área de aproximadamente 8,5 milhões de quilômetros quadrados, espaço mais que suficiente para albergar inúmeras culturas e impérios antigos, contudo, lhe foi negado o direito de se saber sobre um passado glorioso.

Clio, essa mentora estrita, foi injusta com o gigante sul-americano, obrigando-o a permanecer por muito tempo na sombra do Peru, México e as pequenas repúblicas centroamericanas, países orgulhosos dos restos de grandes civilizações pré-colombianas, respectivamente, dos incas, astecas e maias.

No entanto, a verdade, como muitas vezes acontece, no final, não estava do lado dos céticos.

Nous verrons ce que nous verrons (nós veremos o que nós veremos) — possivelmente, antes que finalize esse inconstante século vinte, na revolução da história mundial que virá a partir de descobertas nas agora enterradas cidades das selvas da perigosa América do Sul”.

Essa profecia de Harold Wilkins, feita no ano da vitória na Segunda Guerra Mundial e do vigésimo aniversário do desaparecimento da expedição Fawcett, se cumpriu. Tanto nas últimas décadas do passado século XX, como na primeira década do século presente, vimos não só uma, mas várias descobertas revolucionárias que mudaram radicalmente as ideias convencionais da história antiga do Brasil e o restante das Américas.

Hoje temos provas convincentes de que o homem poderia ter vivido no território do Brasil no período de 60 mil ou 100 mil anos (com base em datação de artefatos na Toca do Boqueirão da Pedra Furada, no Estado de Piauí, encontrados pela arqueóloga Niède Guidon) a 300 mil anos AP (datação do chopper, encontrado pela arqueóloga Maria Beltrão na cidade de Central, no interior do Estado da Bahia), sendo esta última datação uma das mais antigas para a presença humana nas Américas, senão a mais antiga.

Já não podemos duvidar de que os primeiros habitantes, “autóctones” ou “aborígines” da América do Sul, foram os antigos negroides, segundo foi afirmado pelo coronel Percy Fawcett e comprovado na atualidade pelo antropológo Walter Neves em base ao estudo dos restos humanos da Serra de Capivara (Piauí) e Lagoa Santa (Minas Gerais).

Luzia, a brasileira mais antiga.
  

Oficialmente, a arte rupestre mais antiga do continente americano (12 mil anos AP) se encontra no sítio de Lapa do Santo, no Estado de Minas Gerais (2012). Mas há indícios que apontam a uma idade muito mais remota dos rupestres brasileiros. Os cientistas Shigeo Watanabe (2003) e Medura Sastry (2004), datando a calcita sobre pinturas rupestres em Serra da Capivara (Piauí) e a calcita sobre esculturas encontradas em Montalvânia (Minas Gerais), obtiveram idades tão antigas como cerca de 50 mil anos AP.

Em 2010, com a vazante do Rio Negro, foram descobertas as gravuras rupestres da Ponta das lajes, em Manaus, cuja idade oscila entre dois mil e sete mil anos.

Desenhos rupestres da Ponta das lajes, Manaus/AM (Foto: Valter Calheiros)

Não restam dúvidas de que o Brasil foi o berço da cerâmica no Novo Mundo: a cerâmica mais antiga das Américas (8.960 anos AP) foi encontrada na mesma zona da Serra de Capivara, e a segunda e terceira mais antigas (de Taperinha, até 7 mil anos AP, e a de Pedra Pintada, 7,6 mil anos AP, ambas em sítios no Estado de Pará) foram descobertas na Amazônia Brasileira pela famosa arqueóloga e antropóloga norte-americana Ana Roosevelt.  

Também está ganhando cada vez maior terreno a hipótese de que ao momento da chegada dos conquistadores europeus à Amazônia, essa região seria habitada por milhões de indígenas, que viviam em sociedades complexas e produziam sofisticadas peças de cerâmica.

Tais “civilizações amazônicas” ou “Eldorado amazônico”, descoberto pelos cientistas Anna Roosevelt, Michael Heckenberger, Eduardo Góes Neves, James Petersen, Denise Pahl Shaan e outros, eram capazes de se encaixar perfeitamente ao meio ambiente por meio de criação de ecossistemas inteiros, como a famosa terra preta de índio. Algumas dessas civilizações, como a marajoara, desapareceram muito tempo antes da chegada dos conquistadores europeus, outras, como a tapajônica, pereceram após o contato com o homem branco, quando suas populações foram vitimadas pelas guerras e doenças contagiosas.

Chegaram a ser mundialmente conhecidas as “cidades perdidas da Amazônia”, ou agrupamentos de aldeias indígenas, descobertos pelo arqueólogo Heckenberger no Xingu, exemplos de uma “monumentalidade horizontal”, superiores, na sua complexidade, às cidades europeias antigas e medievais.

Aldeia Kuikuro de Ipatse, um vestígio de outrora grande civlização indígena do Xingu (Foto: Pedro Martinelli / ISA, 1999).
 
Não menor admiração foi gerada pelos extraordinários geoglifos da Amazônia ocidental, descobertos nos últimos anos pelos pesquisadores Alceu Ranzi, Denise Shaan e outros, — trata-se de outro grande monumento das civilizações desconhecidas, cujos autores ainda não podem ser identificados.

Os geoglifos descobertos desde 1999 nos Estados de Acre e Rondônia, comprovam a existência de civilizaçôes complexas na Amazônia ocidental.
Também, ao contrário das velhas noções, estamos presenciando a descoberta de grandes construções líticas, pertencentes a uma remota antiguidade brasileira. Ainda é pouco conhecido que o descobrimento das antigas civilizações megalíticas do Brasil teve início em 1984, quando o pesquisador ítalo-brasileiro Gabriel Dannunzio Baraldi, junto com seus colegas arqueólogos, descobriram a cidade perdida de Ingrejil, no interior do Estado da Bahia.

A cidade perdida de Ingrejil, descoberta em 1984, seria uma Sacsaihuaman brasileira, confirmando a existência de grandes civilizações megalíticas no Brasil Antigo (Foto: Yuri Leveratto).

A construção megalítica brasileira mais conhecida nos últimos anos, que chegou a ser chamada de “Stonehenge amazônico”, um observatório astronômico pré-histórico, foi descoberto em 2006 no Estado de Amapá por um casal de pesquisadores, Mariana Petry Cabral e João Saldanha.

Stonehenge Brasileiro no Estado de Amapá, testemunho mais conhecido da paleoastronomia brasileira.

   
Os vestígios megalíticos não são as únicas construções líticas antigas encontradas no território do Brasil. Assim, na região de Itaúna, no Estado de Minas Gerais, Pepe Chaves e J. A. Fonseca, pesquisadores independentes, estão investigando os misteriosos “muros de escravos”, que ainda não podem ser datados com seguridade, mas muito provavelmente remontam a um passado muito remoto.

"Muros de escravos" em Itaúna/MG (Foto: Pepe Chaves).

Em várias partes do Brasil aparecem as majestosas “cidades e esculturas petrificadas”, oscilando entre formações rochosas naturais e antiquíssimas estruturas artificiais muito erodidas, sendo as Sete Cidades de Piauí o exemplo mais famoso de tal fenômeno.

Parque Nacional de Sete Cidades/PI.

Mas apesar de todas essas incríveis conquistas ainda não se deu aquela grande descoberta das lendárias cidades perdidas do Brasil, daquela civilização, cujos contornos foram apenas vislumbrados pelos pesquisadores alternativos como Percy Fawcett, Harold Wilkins ou Tanus Bastani, hoje apelidados de “arqueólogos do irreal” pelos cientistas céticos.

Já a existência das civilizações amazônicas é praticamente um fato estabelecido — mas não há indício algum da existência da “Z”, suposta cidade remanescente da antiga Atlântida, objetivo principal da expedição do coronel Fawcett. Os antigos negroides brasileiros já passaram a ocupar seu lugar na arqueologia e antropologia — mas os “índios brancos” atlantes, outra raça lendária, ainda não passa de um mito. Já se pode falar com toda a seriedade das desconhecidas culturas megalíticas do Brasil Antigo — embora não haja comprovações da existência de uma cultura clássica, que erigiu cidades do tipo grego ou romano nas terras brasileiras, como a descrita no famoso documento 512.

Não é possível que esse seja o fim das grandes descobertas arqueológicas no Brasil. Evidentemente, trata-se apenas do seu começo, e com razão, temos que esperar novas e muito mais assombrosas “revoluções” nesse campo.

Nosso blog, “Desconhecida Pré-história Brasileira” é o tributo de um “estrangeiro inquieto e curioso” ao passado brasileiro ainda desconhecido. Por certas razões, me comprometi com o tema faz muitos anos e percorri um longo caminho até agora.

E aqui estarei juntando diversos fatos da arqueologia brasileira, seja do “real”, ou “irreal”, procurando sempre oferecer uma análise ponderada, sem nenhuma pretensão de emitir conclusões globais ou sugerir paradigmas pré-estabelecidos, o que só iria prejudicar a busca.

Desta maneira, esperamos iniciar esse longo caminho.



BIBLIOGRAFIA

A gravura rupestre mais antiga do continente americano. A figura descoberta no Brasil poderá ter mais de 12 mil anos. CiênciaHoje. 2012-02-22.
 

Aos 75 anos de idade, Niède Guidon colocou o Brasil no mapa da arqueologia internacional. Na trilha de Guidon.  Gazeta de Alagoas, Edição do dia 13 de julho de 2008.

Bastani, Tanus Jorge. Minas e minérios no Brasil. Tesouros, cidades pré-históricas e minas abandonadas. Rio de Janeiro ; São Paulo : Livr. Freitas Bastos, 1957. P. 16-17, 23-25.

Fawcett, Percy Harrison. Lost Trails, Lost Cities. New York : Funk & Wagnalls, 1953.

Fonseca, J.A. Minas Gerais: Itaúna no Circuito Arqueológico do Brasil. Estudando alguns vestígios deixados pelos ‘itaunenses’ de passado remoto e os misteriosos e indecifráveis 'muros de escravos' de nossa região.

Heckenberger, Michael J. As cidades perdidas da Amazônia. A floresta tropical amazônica não é tão selvagem quanto parece. Scientific American Brasil.

Langer, Johnni. Arqueologiado irreal: as cidades imaginárias do Brasil. Dissertação de mestrado apresentada ao dep. de História da UFPR. Curitiba, agosto de 1996.

Lopes, Reinaldo José. El origen de Zuzú. Un cráneo hallado en el estado de Piauí refuerza la idea de que grupos humanos físicamente distintos ocuparon Sudamérica hace 10 mil años. Pesquisa FAPESP Online. Ciencia |Arqueología. Edición Impresa 139 - Septiembre de 2007.

Mann, Charles C. 1491 : new revelations of the Americas before Columbus/ - 1. ed., 16. print. - New York, NY : Knopf, 2006.

Museu de arte rupestre a céu aberto em Central.
 

Relação Historica de uma occulta e grande povoação antiguissima, sem moradores, que se descobriu no anno de 1753, nos sertões do Brazil; copiada de um manuscripto da Bibliotheca Publica do Rio de Janeiro, 1754. Revista do IHGB, tomo I, n. 3, 1839. P. 151-155.

Schaan, D.; Pärssinen, M,; Ranzi, A.; Piccoli, J. C. Geoglifos da Amazônia ocidental: evidência de complexidade social entre povos da terra firme.

Watanabe, S., et alii.Peopling Brazil took place much earlier than in North America?

Wilkins, Harold T. Mysteries of Ancient South America. London : New York : Melbourne : Sidney : Rider & Co., 1946. P. 35-36.



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OLEG DYAKONOV
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