sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Gabriele D’Annunzio Baraldi (1): O “último atlantólogo”: vida e descobertas de Gabriele D’Annunzio Baraldi


   Por Oleg I. Dyakonov



Gabriele D’Annunzio Baraldi


Dedicado ao 10º aniversário da morte do pesquisador

 
Este artigo trata sobre as descobertas de Gabriele D’Annunzio Baraldi, arqueólogo, epigrafista e pesquisador alternativo italo-brasileiro, conhecido como o “último atlantólogo”. Ele descobriu a cidade perdida de Ingrejil, no interior do Estado brasileiro da Bahia, primeiro sítio arqueológico que atestou a existência de antigas civilizações pré-colombianas no território de Brasil. Como epigrafista, decifrou os misteriosos símbolos da famosa Pedra do Ingá em Paraíba, concluindo que o antigo idioma tupi era uma língua hitita (ou proto-hitita). Baraldi concebeu a língua dos hititas americanos (amero-hititas) como a mais antiga língua na Terra, falada universalmente no mundo antediluviano (a Atlântida). Em base a ela elaborou seu próprio sistema de tradução, logrando decifrar também diversas misteriosas escritas do mundo antigo.

 
Um guerreiro luta até o fim...

 Gabriele D’Annunzio Baraldi
 
 
“Amor à arqueologia e à verdade... Para que as futuras gerações possam entender melhor de onde vêm e quem foram os nossos antepassados, e as interrogações de nossa existência. Entender quem eram esses grandes homens de ação que dedicaram suas vidas à busca de um passado e da verdade que estava escondida, todavia, atual. Um deles foi Gabriele D'Annunzio Baraldi. E muitos, muitos mais, que também perderam a vida nas selvas amazônicas. Aqueles que poderíamos chamar de “Indiana Jones da vida”, e não dos filmes, como os realizados por Spielberg”.

Anna Baraldi Holst, da entrevista concedida a Debora Goldstern (portal "Crónica Subterrânea"), 2007.
 

Ele passou à história como o “último atlantólogo”. Tal definição, formulada pelos cientistas ortodoxos, pode causar sentimentos de tristeza na alma de cada pesquisador da história alternativa. É claro que Gabriele D'Annunzio Baraldi não foi o “último atlantólogo” em escala global, pois agora, dez anos após sua morte, um grande número de cientistas e pesquisadores ainda não deixa de argumentar sobre a lendária Atlântida, propondo novas hipóteses e procurando vestígios dessa civilização perdida em várias partes do mundo, tanto na superfície da terra como debaixo das águas.   
 
Por isso nos atreveremos a fazer uma especificação: Gabriele Baraldi foi o último da brilhante plêiade de pesquisadores do século XX, que procuravam os vestígios de uma pré-civilização desconhecida no Brasil: as cidades perdidas e os testemunhos epigráficos.
 
Em ordem cronológica, os primeiros dos mais conhecidos nesta fila são o engenheiro austríaco Georg Lubowiscy Von Luhen e o coronel britânico Ted O'Sullivan Beare, este último também precursor de um outro coronel, seu famoso compatriota Percy Harrison Fawcett. Seguiram depois o engenheiro francês Apollinaire (“Apolonário”) Frot, o epigrafista brasileiro Bernardo de Azevedo da Silva Ramos, o professor austríaco Ludwig Schwennhagen, o jornalista e escritor britânico Harold T. Wilkins e o coronel russo Alexandre P. Braghine. Entre os últimos da fila estão os dois franceses: o desaparecido explorador Raymond Maufrais e o arqueólogo Marcel Homet.
 
Pelo menos três desta lista desapareceram nas selvas brasileiras, procurando cidades perdidas, — Fawcett, Frot e Maufrais. 
 
A nosso parecer, é essa fila de pesquisadores que vem logicamente concluída pelo italiano Gabriele Baraldi que, por conseguinte, deve ser qualificado como o último dos defensores  de uma Atlântida Brasileira no século XX - compreendendo tanto a Atlântida de Platão, como todas as outras percepções da civilização pré-histórica perdida do Brasil.
 
Este homem incrível, que combinava em si não só os talentos multifacéticos e uma sagacidade científica, mas também as melhores qualidades de espírito, conseguiu realizar aquilo que no seu tempo o coronel Fawcett não chegou a efetuar: o descobrimento das ruínas de uma antiga cidade perdida no interior do Brasil. Nesse ponto pode ser comparado com o descobridor da Tróia, Heinrich Schliemann que, assim como Baraldi, não foi arqueólogo por formação.
 
Contudo, é provável que Gabriele Baraldi algum dia também seja chamado de um “Champollion brasileiro”, já que conseguiu encontrar uma chave às escritas antediluvianas, identificando também uma antiga língua universal, falada, segundo ele, pelos habitantes da Atlântida e todo o mundo antediluviano.

Baraldi, quando de sua passagem pela Argentina.


Trajetória de vida
 
Gabriele D'Annunzio Baraldi nasceu no dia 6 de outubro de 1938 em São Prospero, próximo da cidade italiana de Modena, na “generosa terra, farta de vinho e comida, que gerou filhos ilustres, como Pico della Mirandola, Giuseppe Verdi, Enzo Ferrari, Luciano Pavarotti e Valentino Rossi” ([4]). Como lembrava, gracejando, o próprio pesquisador, seu nome já começou com uma polêmica no momento do batismo. O pai, Guerrino Baraldi, quis chamar o filho em homenagem a Gabriele D'Annunzio, “poeta guerreiro de Fiume”, e o sacerdote que devia batizar o recém-nascido, recusava-se, visto que o famoso poeta e político fora excomungado pela Igreja. Consequentemente, o pai da criança levou a melhor ([4]).
 
Eram cinco irmãos e uma irmã: Romano, Giancarlo, Gabriele, Anna, Giorgio e Gianni. Como lembra Anna Baraldi Holst, irmã do pesquisador, Gabriele sempre foi bem diferente da personalidade dos outros irmãos, mais silencioso, portanto o pai, Guerrino, chamava a Gabriele de “louco artista” ([5]). Mas Anna sempre foi muito afinada com Gabriele nas idéias e opiniões, de modo que era quase uma “cópia” dele.
 
Já na infância, ela inventou a alcunha carinhosa para o irmão, o “formiguinha”. Sempre o lembra com muito carinho e admiração: “Todas as qualidades posso enumerá-las: destemido, intuitivo, grande senso de humor e um grande respeito pelo ser humano. Era sensível, mas ao mesmo tempo um filósofo nato, com o equilíbrio típico de um libriano. Na nossa família, foi um irmão, um pai, um amigo e conselheiro. Eu o considero iluminado. Isto não deve ser tomado como exagero, mas é como eu analisei a sua personalidade e como ele demonstrou-se durante toda sua vida na Terra” ([5]).
 
Realmente, Gabriele desde a infância diferenciou-se pelo amor à leitura e “engolia” qualquer livro que vinha à mão. A sede insaciável do conhecimento combinava-se nele com a inclinação romântica às aventuras; e, obviamente, esta circunstância foi promessa de que de todo o lido nos anos moços o coração de rapaz e, logo, de jovem, ficou para sempre inclinado ao estudo das antigas civilizações e mistérios do passado.
 
Mas que outro enigma pode excitar mais um jovem coração, senão o mistério da lendária terra perdida, a Atlântida de Platão? Tal imagem ficou para sempre na alma do jovem; contudo, diferentemente da maioria que recusa esse sonho em tenra idade, Gabriele permaneceu fiel, levando-o até o fim.
 
A vida dura na Itália do pós-guerra e a esperança de encontrar um novo lar, onde não havia que temer uma nova guerra, colocou frente à família Baraldi o problema da emigração. Foi escolhida a direção tradicional para muitos emigrantes italianos: a Argentina, que então passava por período de abundância econômica, quando se encontrava no poder o general Perón e sua esposa Evita. 
Primeiramente, seguiu para a América do Sul o seu pai, Guerrino, desejando abrir caminho à sua família.  Durante o tempo da sua ausência, o jovem Gabriele tornou-se o sustentáculo da família, segundo lembra Anna. “Nos momentos de crise ele conseguia com sua criatividade, determinação e decisão, resolver qualquer assunto. Demonstrou isso, especialmente, quando meu pai viajou para a Argentina. Ele era um guerreiro com a nobreza de um ser amoroso, altruísta, compreensivo, conseguia harmonizar e alegrar a nossa família. Era muito companheiro da nossa mãe que ficara sozinha na Itália, com a responsabilidade de todos esses filhos pequenos. E quando a fome apertava, ele, inclusive, sabia como resolver, tinha a coragem de pedir, fazendo favores, ajudando em algum trabalho” ([5]).
 
Finalmente, em 1950 toda a família se reuniu na terra sul-americana. Então, em Buenos Aires, Gabriele recebeu a sua formação universitária, obtendo o bacharelado em Filosofia e Letras. Contudo, o jovem sentia que a Argentina estava distante do seu ideal. E, ademais, ele não conseguia encontrar emprego no país, que passava por num período de grave turbulência econômica e financeira. Naqueles anos, o sonho de Gabriele era trabalhar nos países com uma economia próspera e uma moeda estável. Assim, ele escolhe uma maneira interessante de cumprir com seu sonho, realizando uma viagem por terra do Sul ao Norte do continente, com destino aos Estados Unidos.
 
Ao passar pelo Uruguai, cruzou a fronteira com o Brasil, encontrando-se pela primeira vez em terras brasileiras. Ele ficou fascinado pelo lugar, esquecendo-se dos antigos planos e, nesse país, passou a estudar os testemunhos de um passado desconhecido da humanidade. As pesquisas arqueológicas, seu antigo sonho de infância, agora ganhavam sentido na sua vida.
 
Desta maneira chegou a efetuar também o sonho não realizado do coronel Percy Fawcett, que planejava instalar-se algum dia no Brasil, país no qual também buscava respostas aos principais segredos de um passado misterioso.  
 
No ano de 1960, Gabriele Baraldi conseguiu trazer toda a sua família para o Brasil. Os anos posteriores foram dedicados às viagens, tanto no Brasil, como pelo mundo. Quanto ao Brasil, segundo ele mesmo afirmou, “conheci uma significativa extensão deste belo país, cativado pela sua exuberante e majestosa natureza” ([4]). 
 
Viajou muito pela Europa, vivendo algum tempo na Bélgica. E em muitos aspectos essas viagens estavam relacionadas com suas pesquisas. Na Europa, Gabriele encontrou Hannelore, moça de nacionalidade alemã, com a qual se casou.  Deste matrimônio nasceu a filha, Tania, que atualmente reside na cidade de São Paulo.
 
De volta ao Brasil, Gabriele Baraldi instalou-se em São Paulo, onde durante anos ocupou posições responsáveis em algumas empresas estrangeiras, até que, finalmente, logrou montar uma empresa própria para prestação de serviços. Ele falava fluentemente quatro idiomas, o que facilitou muito em seu trabalho.
 
Os talentos multifacéticos de Gabriele Baraldi com o tempo se revelaram também na escultura e na pintura, o que foi comprovado no ano de 1985, quando no “Hotel Caesar Park” de São Paulo, ele recebeu solenemente o “Internacional Oscar” por sua técnica especial em pintura. O prêmio em dinheiro patrocinou a continuação de suas pesquisas arqueológicas em seguida.
 
O escritório do pesquisador foi instalado no porão da sua casa em São Paulo. Era o verdadeiro escritório de um arqueólogo e atlantólogo. Segundo lembra Anna Baraldi, havia muitos livros, quadros, estatuetas pré-colombianas, pedras, pirâmides, oráculos etc. Cada domingo todos os membros da família se reuniam na casa de Gabriele para o tradicional jogo de pôquer com dados, sempre ao som de boa música. Tal costume fez desde a chegada ao Brasil, símbolo da unidade de uma grande família italiana. “Já que a vida é um jogo, vamos jogar”, parodia filosoficamente a irmã do pesquisador ([5]). 
 
Entre outras paixões humanas de seu irmão estava também o futebol, e ele sempre torcia para a Seleção do Brasil.
 
Infelizmente, o pesquisador morreu com apenas 64 anos, no dia 24 de setembro de 2002. Dois livros publicados em 1997 são o resultado das suas longas pesquisas no campo da história arqueológica e epigráfica: “Os Hititas Americanos” e “A Descoberta Doc.512”.  O último trabalho recebeu o “Prêmio Clio de História” do governo brasileiro e se encontra disponível ao público nos arquivos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Infelizmente, o pesquisador não teve tempo de escrever um livro sobre “A Arca da Aliança Perdida”, como planejava.
 
Sua irmã, Anna Baraldi Holst atualmente reside na cidade de Itapema, no Estado de Santa Catarina. Ela trabalhou por vários anos como aeromoça na companhia aérea de Varig, onde encontrou o seu futuro marido, o alemão Walter Holst, piloto da aviação internacional, falecido em 2009. Tradutora de italiano e espanhol, pesquisadora do fenômeno OVNI, integra o conselho editorial do portal brasileiro Via Fanzine’ e administra o portal oficial de Gabriele D’Annunzio Baraldi (www.gabrielebaraldi.arq.br).  
 
Não seria um exagero de nossa parte afirmar que Gabriele Baraldi foi quem deu a mais importante contribuição para a busca dos vestígios da Atlântida no Brasil. Quais são, então, os descobrimentos que o “último atlantólogo” realizou nesse país?
 

A Cidade Perdida de Ingrejil
 
O caminho às descobertas arqueológicas começou para Gabriele Baraldi com o conhecimento das famosas pedras de Ica, Peru, pertencentes à coleção do doutor Javier Cabrera Darquea. As misteriosas pedras, de tamanhos diferenciados, provêm do deserto de Ocucaje, localizado perto da cidade de Ica. São andesitas pretas, rochas tão duras como o granito; mesmo assim, essas pedras trazem imagens gravadas em si, realizadas com uma exatidão surpreendente (“como se desenhasse sobre papel”, segundo a expressão de Baraldi, ([3], Parte 1). 
 
As imagens estampadas na pedra são fantásticas: seres humanos e dinossauros, aviões em forma de pássaros, cirurgias antigas, etc. Atualmente, já são bem conhecidas e ainda objeto de acalorados debates.
 
Entretanto, para Baraldi a autenticidade das pedras de Ica foi confirmada por seu próprio achado: na Argentina, na região de La Aguada, entre as províncias de Córdoba e Catamarca, a milhares de quilômetros de Ica, o pesquisador encontrou uma pedra preta com imagem gravada que, pelo estilo e técnica de execução era idêntica às imagens das pedras de Ica. Aparecia um sol ou uma estrela com rosto humano — absolutamente o mesmo sol aparece representado em várias das pedras de Ocucaje.
 
Como o mesmo Baraldi enfatizou, o ponto de partida de todas as suas pesquisas chegou a ser os antigos mapas-múndi, representados em duas grandes pedras da coleção do doutor Cabrera ([3], Parte 1). Nestes mapas aparecem grandes massas de terra e, em alguns dos quais é possível discernir os contornos dos continentes existentes, além de outros que nos são desconhecidos. Os continentes estão separados por enigmáticas linhas. Como sugeriu Baraldi, talvez essas linhas sejam antigas rotas marítimas ou falhas na crosta terrestre associadas a catástrofes naturais, ([3], Parte 1).

Pedra gravada com a imagem de um sol ou uma estrela com rosto humano.
Foi encontrada por Gabriele Baraldi em La Aguada (Argentina),
mas é idêntica às pedras de Ica.

Segundo Baraldi, um dos mapas mostra as duas Américas unidas por um istmo estreito com a Antártida, então livre do gelo. Ao oeste da América aparece o continente da Lemúria, o Mu, já ao leste, aparece a Atlântida de Platão. A superfície de todos os continentes representados está coberta de uns desenhos pictográficos que, segundo Baraldi, seriam os caracteres hititas.
 
No segundo mapa, continua o pesquisador, está outro hemisfério, onde aparece a Eurásia dividida em dois continentes pela linha dos Urais. Já a África, está unida à Europa, tendo como sua parte integrante a ilha de Madagascar.
 
Segundo a interpretação de Baraldi, o primeiro destes mapas líticos testemunha a existência na América do Sul com grande número de cidades numa antiguidade remota. Particularmente, Baraldi identificou a possível localização de duas dessas cidades: a primeira teria sido construída no Nordeste da Argentina, onde hoje está o lago Mar Chiquita (província de Córdoba); e a outra, bem maior, no Nordeste brasileiro, em Sete Cidades - sobre a importância das Sete Cidades para as teorias de Baraldi concluiremos a seguir [20]. Uma terceira cidade foi encontrada pelo próprio Baraldi, quando, segundo suas próprias palavras, “teve a sorte” e “os Deuses” estavam com ele “e contribuíram” ([16]). A descoberta ocorreu em 1984, no interior do Estado da Bahia.
 
Além do já mencionado mapa-múndi lítico do deserto de Ocucaje houve também outro testemunho que motivou o pesquisador a empreender buscas nesta zona.

Mapa-múndi lítico do deserto de Ocucaje mostra as Américas unidas com a Antártida.
  
Como muitos de seus antecessores e, especialmente, Percy Fawcett, Baraldi guiou-se pelo famoso documento 512, um manuscrito da época colonial, guardado na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Tratava-se da relação de certos aventureiros que, em 1753, toparam com as ruínas de uma misteriosa cidade abandonada no estilo clássico, localizada no sertão da Bahia. A entrada dessa cidade era através de três arcos, havia uma longa rua com casas de sobrados e no meio da praça central, defronte a um palácio e um templo, erguia-se uma coluna de pedra preta, encimada pela estátua de um homem, indicando com o braço direito a direção Norte. O detalhe mais importante do texto era a reprodução das inscrições hieroglíficas encontradas sobre os edifícios da cidade perdida ([22]). Não foi possível estabelecer a autoria do documento (ilegível em algumas partes importantes por causa da deterioração); Baraldi vinculava o relato da cidade perdida à lenda da “Cidade dos Césares”, supostamente localizada na Argentina, e acreditava que a história original foi inventada pelos jesuítas do século XVI, tomando parte na elaboração da versão final do documento vários outros autores no decorrer dos séculos seguintes ([15]). 
 
Assim, seguindo as indicações tanto do antigo mapa lítico de Ocucaje como do documento 512, Baraldi descobriu a Cidade Perdida de Ingrejil.
 
Os descobridores eram três: Gabriele Baraldi, Dr. Aurélio de Abreu, vice-presidente do Instituto Paulista de Arqueologia e Luis G. Moreira Júnior, um jovem arqueólogo do mesmo Instituto. Em 1984 os três efetuaram pesquisas no interior do Estado da Bahia, na inóspita Serra das Almas (perto da cidade Livramento de Nossa Senhora, localizada a 720 km de Salvador), no coração da Chapada Diamantina. Após uma árdua caminhada de quase 6 horas, através de matas densas, precipícios, pedras no caminho e vestígios de onças, os pesquisadores alcançaram um estreito planalto com duas milhas de comprimento por meia milha de largura. No local, constataram grandes blocos de pedra e menires dispostos em linhas, com restos de um complexo sistema de estradas líticas. 

Menires inteligentemente dispostos em Ingrejil.
 
Era todo um complexo megalítico, chamado pelos residentes locais de Ingrejil (nome concebido à parte da Serra das Almas, onde está situada a cidade perdida). Os blocos, arredondados na parte superior, foram muito bem lapidados e colocados num quebra-cabeças, sendo encaixados uns aos outros sem argamassa de espécie alguma ([3], Parte 1). Esta técnica é muito bem conhecida a partir das famosas construções andinas pré-colombianas em Cuzco, Machu Picchu e Ollantaytambo. Com isso, é interessante notar, que, por coincidência ou não, Ingrejil está na mesma latitude de Macchu Picchu, a Cidade Sagrada dos Incas ([19], p. 15).
 
Segundo Baraldi, grande parte das construções teria sido destruída pelos garimpeiros que frequentavam o local, mas as maiores provas da civilização perdida, aparentemente, ainda estão escondidas debaixo da terra ([3], Parte 1). Em várias partes o terreno foi aplanado artificialmente. Há uma variedade de alinhamentos de pedras em toda a área de Ingrejil: em certos casos aparentemente trata-se das instalações astronômicas ou religiosas, relacionadas com o culto solar, mas a maior parte destes alinhamentos pôde indicar a presença de fundações de antigos edifícios. Em um determinado lugar as pedras lapidadas com ângulos retos estão dispostas em forma de parede. Os pesquisadores também encontraram dois relevos artificiais ou “mounds” em forma de pirâmides, talvez sinais de templos ou prédios soterrados ao longo do tempo ([19], p. 16).
 
Também é importante notar ali a presença da principal fonte de água, que ainda abastece as necessidades dos moradores no pé da serra ([19], p. 16). Aliás, estes últimos colheram muitos artefatos naquela zona, tais como pedras talhadas e martelos em pedra polida (um dos quais é feito de cristal de rocha) ([3], Parte 1).
 
Segundo Abreu, as ruínas são completamente diferentes das construções dos índios que habitavam o Brasil pré-cabraliano. Em sua opinião, os fundadores de Ingrejil, talvez, teriam sido refugiados do Peru incaico ou até pré-incaico, que encontraram naquela região montanhosa da Bahia, a paisagem e o clima, semelhantes aos dos Andes ([9], p. 284).
 
No entanto, Baraldi, deu um forte apoio à ideia da origem pré-incaica do Ingrejil: em sua opinião, a cidade foi fundada por volta de 2000 a.C., e, portanto, teria 4000 anos ([3], Parte 1; [19], p. 15).
 
A descoberta de Ingrejil foi certificada por David Hatcher Childress, pesquisador norteamericano de civilizações perdidas que visitou várias vezes o local da escavação ([19], p. 15). A maior repercussão midiática deu-se em agosto do mesmo ano de 1984, quando a TV Globo organizou uma expedição à cidade perdida. A reportagem sobre a expedição registrou o mesmo Baraldi demonstrando a fundação de uma antiga parede de pedra descoberta por ele ([3], Parte 1).
 
Hoje, a pesquisa em Ingrejil está a cargo do arqueólogo Luis G. Moreira Júnior, amigo e companheiro de Baraldi, um dos descobridores da cidade perdida. Na sua opinião, esta antiga civilização poderia ter um impacto sobre as culturas andinas posteriores, uma vez que a antiguidade das ruínas excede consideravelmente a idade dos povos andinos ([19], p. 16). Mas está certo em um ponto: “Ingrejil não é a cidade do doc. 512, mas sim, uma nova descoberta para a história do nosso imenso continente sul americano repleto de mistérios” ([19], p. 15).

Vestígios da cidade perdida de Ingrejil revelam um antigo aglomerado de construções.
Outro pesquisador italiano dos mistérios da América, Yuri Leveratto, acredita que Ingrejil, na realidade, é muito mais antigo do que pensava Baraldi, e faz referência ao período de 10.000 anos a.C. Na época, o clima teria sido mais frio e seco em todo o continente, mas, posteriormente, como resultado das mudanças climáticas após o final da era glacial, os antigos megalíticos de Ingrejil migraram para o Oeste, chegando a ser precursores das culturas andinas ([18]).
 
Aproximadamente a mesma antiguidade de 10 mil anos, tem a tradição astronômica representada em pinturas rupestres na caverna Toca dos Búzios (município de Central, na Bahia), descoberta em 1987 pela arqueóloga carioca Maria Beltrão. Na Toca da Esperança, sítio vizinho à Toca dos Búzios, a arqueóloga descobriu instrumentos líticos de 300 mil anos de antiguidade ([21])!
 
A Cidade Perdida de Ingrejil, os dólmenes da Bahia, não típicos em princípio para os antigos habitantes da América do Sul, inúmeras grutas com pinturas rupestres, que confirmam a existência de uma paleoastronomia altamente desenvolvida... Não há dúvida de que são elos de uma mesma cadeia.
 
Até o momento Ingrejil não é objeto da atenção do mundo científico. Todavia não foi efetuado um trabalho de escavação completo usando o método estratigráfico, o que tornaria possível a descoberta de cerâmica e outros artefatos antigos. Além disso, conforme reconhece Moreira Júnior, ele prefere divulgar moderadamente as informações sobre o local, temendo ataques de vândalos e visitas furtivas de colecionadores ([19], p. 16).
 
Só as futuras pesquisas irão revelar o mistério da cidade perdida descoberta por Baraldi e seus colegas. Uma cidade, que finalmente confirmou o velho sonho do coronel Percy Fawcett sobre as cidades perdidas do Brasil, mostrando que no país realmente há lugar para mistérios das antigas civilizações.
 

Os hititas americanos
 
Um grupo particular de testemunhos do passado pré-histórico do Brasil, não menos misterioso do que as lendárias cidades perdidas são os letreiros e as pedras pintadas. À primeira vista, pode não haver nada de misterioso nesse tipo de vestígios, pois a arte rupestre é um dos principais atributos das culturas primitivas e aparece praticamente em todos os cantos do mundo. No entanto, para muitos desses letreiros ou inscrições brasileiras não é aplicável essa visão simplista, pois a controvérsia sobre sua origem segue para o quinto século.
 
Os indígenas brasileiros chamam de itacoatiaras (pedras pintadas em tupi) aquelas pedras com imagens e inscrições ilegíveis, sempre afirmando que tais inscrições não foram feitas por seus antepassados, mas pertencem a um tempo muito antigo, quando os homens e os deuses ainda estavam convivendo livremente... ([14])
 
Em 1598, Feliciano Coelho de Carvalho, capitão mor da Paraíba, descobriu nas caatingas da Serra da Borborema, às margens do rio Arasoagipe (hoje Ingá, ou Bacamarte), um enorme monólito de granito, coberto de cima para baixo com estranhos petroglifos. Esse monumento, descrito pela primeira vez nos “Diálogos das Grandezas do Brasil”, de Ambrósio Fernandes Brandão (1618, [7], pp. 16-17), não foi apenas o primeiro exemplo da antiga arte rupestre do Brasil, mas em geral o primeiro sítio arqueológico descoberto no país. Conhecido hoje como a “Pedra do Ingá” (Ingá é o nome do atual município, localizado à 87 km de João Pessoa, capital paraibana), representa, segundo os pesquisadores, um dos mais intrigantes mistérios arqueológicos não só no Brasil, mas no mundo inteiro. 
 
A Pedra do Ingá tem 24 metros de comprimento, 3,8 metros na sua parte mais alta e mais de 3 metros de largura; as inscrições ocupam uma área com cerca de 40 metros quadrados e são feitas na forma de baixos relevos, uma técnica completamente alheia aos índios brasileiros, embora a arqueologia oficial sempre atribuiu a eles a autoria das inscrições. Os caracteres e pictogramas (497 no total), surpreendentemente intrincados, não têm análogos em outras partes do continente americano.

Para Baraldi, os símbolos da monumental Pedra do Ingá, no interior da Paraíba, estariam de cabeça para baixo.

Conforme descrito por Brandão (que reproduziu no seu livro algumas das imagens na forma da tabela) aparecem muitas imagens de rosas e caveiras, um círculo, uma cruz, etc. No século XX, o coronel Alexandre Braghine observava que “entre as letras, chamam a atenção sinais absolutamente idênticos aos latinos T, x, m, D e S. e entre os pictogramas existem símbolos fálicos e representações de rosetas ou flores de pétalas múltiplas” ([6], p. 239). A alta técnica e a habilidade com que são feitas as inscrições, certamente não permitem atribuir a criação deste monumento aos índios, os quais, além disso, tinham preocupações muito mais essenciais, que, seguramente, não lhes deixavam tempo, nem desejo de realizar tais “brincadeiras” tão monumentais... Além da Pedra do Ingá, nos seus arredores e outros lugares mais ou menos remotos, também existem outras inscrições misteriosas e estruturas megalíticas.
 
Na lista dos possíveis candidatos para autores de tais monumentos estão os índios, os fenícios, seres extraterrestres ou representantes de alguma antiga civilização desconhecida do Brasil.
 
Baraldi visitou a Pedra do Ingá pela primeira vez em 1988. As conclusões tiradas por ele com base no estudo das inscrições foram realmente revolucionárias.
 
Em primeiro lugar, as inscrições hieroglíficas, em sua opinião, são hititas ou, mais precisamente, proto-hititas. Segundo Baraldi, os hititas, antigo povo da planície de Anatólia (hoje Turquia), estabeleceu-se na América do Sul, fundando a civilização dos hititas (ou proto-hititas) americanos, também chamados de amero-hititas pelo pesquisador. E, além da Pedra do Ingá, Baraldi também apontou outra pedra, encontrada nas proximidades, que ele chamou de Arzawa (nome de um pequeno estado hitita do segundo milênio a.C.), a qual, de acordo com sua hipótese, também está coberta com inscrições hititas, mas desta vez não hieroglíficas, mas cuneiformes ([10]).
 
Em segundo lugar, a Pedra do Ingá teria sido lavrada verticalmente, mas teria sido virada ao contrário por alguma força monstruosa (como uma enorme enxurrada, segundo o pesquisador). Destarte, o enorme monólito atualmente encontra-se posicionado de ponta-cabeça, dificultando assim, a leitura das inscrições hieroglíficas. Exatamente por isso, como concluiu Baraldi, é necessário ler os hieróglifos não só da direita para a esquerda, mas também de cima para baixo ([10]).
 
Em terceiro lugar, antigamente a pedra não só tinha uma posição diferente, mas era o dobro do seu tamanho atual, formando a fachada de um colossal monumento: “Uma figura humana de monarca, com chapéu, sentado ao trono, tendo dois leões (ou onças) aos seus pés” ([10]). 
 
Em seus estudos epigráficos Baraldi se baseou nos resultados da sistematização dos hieróglifos hititas, realizada pelos maiores hititólogos europeus: Laroche, Meriggi, Guterbok, Bossert, Gelb e outros linguistas que elaboraram um “corpus epigráfico” das inscrições hititas ([3], Parte 3). Uma importância fundamental para as pesquisas de Baraldi chegou a ter o catálogo do francês Emmanuel Laroche (1960), onde cada sinal do sistema hieroglífico hitita era identificado por um número.
 
De acordo com Laroche, que conseguiu decifrar a maior parte dos hieróglifos hititas, esta escrita hieroglífica pode ser combinada com uma linguagem conhecida. “Cinquenta anos de tentativas e conjecturas conduzem à evidência de que os hieróglifos hititas são uma criação hitita e qualquer esforço que permita induzir as homofonias à seleção dos valores fonéticos é bem-vinda” ([10]).
 
“O apelo do Dr. Laroche foi ouvido no Brasil, em fevereiro de 1989, com afinação Tupi” - foi capaz de declarar solenemente Baraldi ([10]).

Detalhes da arte lavrada na Pedra do Ingá em fotografia do pesquisador J.A. Fonseca.

O tupi (ou tupi-guarani) é a língua indígena brasileira, hoje extinta, pertencente ao grupo linguístico nativo tupi-guarani. Era originário dos índios tupinambá, ramo do grande povo tupi (que significa “o grande pai” ou “líder”), que viviam ao longo da costa brasileira, sendo também os primeiros habitantes nativos do país, com os quais os portugueses estabeleceram contato. A partir desta língua formaram-se dois dialetos que são considerados línguas independentes: a língua geral paulista, agora extinta, uma mistura de Tupi com o Português (que até o final do século XVIII manteve-se como a “língua brasileira”, isto é, a língua da maior parte da população do país) e o nheengatu, a língua geral da Amazônia, que até hoje é falada naquela região.  
 
Baraldi não duvidava que o tupi era uma língua hitita ([10]). A ciência conhece vários exemplos, quando a aplicação de uma língua conhecida às inscrições desconhecidas fez possível a decifração: tal é o caso do antigo dialeto do grego de Chipre decifrado por George Smith, as inscrições turcas de Orkon (B. Thomsen), a escrita fenícia de Byblos (Dhorme) e as inscrições semíticas de Ugarit (Bauer, Dhorme, Virolleaud). Segundo explicava Baraldi, “se o postulado é justo, a decifração revela-se rapidamente, mas sendo falso, tudo para, a exemplo do que ocorreu com Jensen que procurava o armênio atrás dos hieróglifos hititas e viu todos os seus anos de esforços perdidos” ([10]).
 
Na Pedra do Ingá, Baraldi logrou identificar símbolos idênticos aos da tábua hitita de Laroche: assim, o 163 possui a pronúncia tupi de Mu-Já e significa “pais”, “raça e nação”, e o 199 é a palavra Jassy (Jaci), com o significado de “lua” ou “mês” ([10]). 
 
Em 1977, o professor egípcio Fathi Seha (especialista em ergonomia da Universidade de Quebec, Canadá) sugeriu que uma linha vertical, que atravessa metade das inscrições da Pedra do Ingá tem semelhança com um mapa do Nilo. No entanto, segundo Baraldi, a linha é uma “uma lança simbólica de sacrifício de animais”, pois atravessa o dorso de um bezerro, um boi e um cavalo, cujas silhuetas ainda são claramente visíveis ([10]).
 
Baraldi também conseguiu identificar na Pedra do Ingá uma imagem bem desgastada da cabeça barbuda de um “personagem com uma cara de monarca” (rei ou sacerdote), coroada por um chapéu alto ([3], Parte 3). Está colocada da forma horizontal, e, portanto, logicamente, pertence a uma época anterior às inscrições, quando a pedra ainda estava de pé, fazendo parte de um monumento antigo. Como indicava Baraldi, a composição “termina num desenho de cabeça de felino, encimado, por sua vez, pelo perfil de cabeça de cavalo, coincidindo a parte traseira dos animais com o arco e a dimensão da cabeça e chapéu do sacerdote” ([10]).
 
As mesmas inscrições, segundo Baraldi, são relatos dispersos, fazendo referência à “guerra de fronteiras entre dois soberanos de procedência mesopotâmica. Outra história nos fala de uma terrível erupção vulcânica que cobriu de cinzas uma cidade de pedra na costa Atlântica, similar ao que aconteceu em Pompéia e Herculano” ([25]).
 
E segue o texto literal das inscrições na tradução de Baraldi. Aviso da “guerra de fronteiras”: “Existe uma disputa na fronteira, onde o rio é piscoso. A disputa é entre parentes de reinos próximos. O rei invasor pede aos guerreiros que façam um círculo ao redor dele, portanto, está decidido a tudo. O outro rei procura a negociação, lembrando o parentesco e as tradições da (pátria) mãe de origem” ([10]).
 
Em outra parte, aparecem mais informações sobre esta mesma guerra. “Ao raiar o Sol, na primeira claridade, o guia toca a trombeta de guerra entre os parentes próximos. Seja o que for, não há mais remédio, por isso o escriba levanta uma prece a Tupã, que levará consigo os mortos, como de costume, aqui e agora” ([10]).
 
Para Baraldi, esses eventos ocorreram entre 1374 e 1322 a.C., como pôde deduzir dos “dados biográficos, segundo os quais, Mursilis II, numa guerra de seis anos destruiu o poderio da Terra de Arzawa”. Para este último topônimo hitita, Baraldi propôs o equivalente tupi “Araxá-uá”, que se traduz como “Trono do Planalto”. O investigador estava convencido de que uma pesquisa mais profunda iria encontrar esse “Trono” em algum lugar perto da Pedra do Ingá, “pois, este é o único lugar do mundo a possuir o maior documento hitita gravado em pedra” ([10]).
 
Outros relatos, segundo Baraldi, derrubam outra percepção tradicional dos hititólogos — de que todas as mensagens escritas em hieróglifos hititas faziam referência unicamente aos eventos do caráter sagrado.
 
No seguinte trecho está descrito o início de um desastre natural. “O Senhor foi pescar no rio, havia muitas rãs, mas estava acontecendo alguma coisa estranha que lhe chamou a atenção. Foi tranquilizado por parentes que ostentavam símbolos nobres. Enquanto lhes dirigia a palavra, uma nuvem branca descia pelo rio, o Senhor perguntou ao pajé (ou sacerdote) o que era essa estranha nuvem branca. Também intrigado, o pajé foi investigar e, finalmente, estava abraçado aos ramos de um igarapé em estado de decomposição” ([10]).


“Personagem com uma cara de monarca”, identificado por Gabriele Baraldi na superfície da Pedra do Ingá.

Segue depois um trecho dramático dos eventos. “No interior da propriedade do Senhor, sob sua supervisão, enquanto o resto da população estava cuidando dos seus afazeres, um incidente de grandes proporções com fogo na usina de fazer bebida queimou tudo, casas vila, templo, com a rapidez de uma flecha, numa fogueira de enorme claridade” ([10]). “É Ano Novo. A Branca Mãe Lua surge iluminando a baía e a popa do grande navio do Império da Constelação da Cruz Guia (Cruzeiro do Sul), não pode sair do local, pois o fogo que está em toda parte pela baía já chegou à proa da embarcação” ([8]).
 
Finalmente, outra história representa a descrição de um festejo popular. “A população trabalhou muito para o pajé, para festejar o Senhor do Amuleto. Toda a bebida foi transformada em licor e colocada sobre um estrado, junto com a comida, destacando-se o peixe-coelho” ([10]).
 
Não menos impressionante é a outra conclusão que Baraldi tirou do estudo das inscrições, referindo-se à técnica com que estas foram gravadas na Pedra do Ingá. De acordo com o pesquisador, os proto-hititas americanos “controlavam a energia geotérmica e aparentemente fizeram os hieróglifos com moldes aplicando alta pressão mecânica e térmica sobre a rocha a partir da canalização da lava de um vulcão extinto” ([25]).
 
Não podemos deixar de dizer, que os representantes da ciência oficial não levaram a sério as ousadas conclusões do pesquisador. Para eles, todavia, não há razão para identificar os símbolos da Pedra do Ingá como hieróglifos de uma civilização desconhecida, mas como petroglifos das primitivas tribos indígenas (Maria Beltrão, Antonio Porro, [10]). Segundo a pesquisadora Gabriela Martin, os sinais de Ingá nem sequer representam uma escrita, pois estão colocados “caprichosamente, não seguem nenhuma ordem simétrica ou relação de tamanho entre si, uma vez que são poucos repetidos” ([8]). Para muitos cientistas, a hipótese de que a Pedra do Ingá esteja de cabeça para baixo inverte símbolos já identificados como figuras humanas, pássaros, répteis e plantas, todos em posições corretas ([10]). Para outros, como o professor Jacques Ramondot, apenas um terremoto seria insuficiente para virar a pedra ([10]). Outra constatação é que os hititas nunca foram marítimos e, portanto, não eram capazes de alcançar América (segundo Balduíno Lélis, pesquisador e amigo pessoal de Baraldi, [10]).
 
No entanto, para o próprio Baraldi, as antigas viagens marítimas eram só uma explicação parcial do fenômeno dos amero-hititas. Pois, segundo ele, tanto os tupi, como os hititas tinham uma origem ancestral comum, que era a Atlântida.
 

A “Constelação” da Atlântida
 
Para Gabriele Baraldi, o tupi, ou “língua proto-hitita”, fora uma vez, a língua universal, falada pelos habitantes da Atlântida desaparecida pelo menos há 50 mil anos ([25]). Posteriormente, essa língua evoluiu para o hitita da antiga Anatólia. Além disso, segundo o pesquisador, a língua tupi “era quase universal, pois se aparentava com idiomas de outras regiões do mundo” ([25]), e em todas as partes estão presentes os sinais típicos de um antigo alfabeto universal.
 
Baraldi elaborou o seu próprio sistema de tradução, descobrindo que o tupi praticamente constituía a chave para qualquer escrita da antiguidade, permitindo sua interpretação sem decodificar. É claro que o pesquisador não se limitou em interpretar os símbolos da Pedra do Ingá, mas seguiu avante, logrando também decifrar as faces A e B do famoso Disco de Phaestos, descoberto em Creta, cujos sinais tinham semelhança com os do monólito paraibano; com os caracteres do famoso ídolo basáltico do coronel Fawcett e com as escritas das antigas placas douradas do Equador, que pertenceram à coleção do padre Crespi. Tudo isso, segundo Baraldi, representa a herança epigráfica da civilização Atlântida ([25]).
 
Ainda em 1983, Baraldi sugeriu que “as mais importantes pistas sobre a existência de Atlântida” podem encontrar-se debaixo da terra do Parque Nacional de Sete Cidades, no Estado de Piauí ([20]). O nome vem das sete “fortalezas” que formam um complexo geológico, lembrando as ruínas de estruturas artificiais bastante erodidas. As lendárias “Sete Cidades” foram descritas pela primeira vez em 1886 por Jacome Avelino, um morador do Ceará. Segundo ele, era uma “cidade petrificada, construída por um povo antiguíssimo e civilizado”, cercada por uma muralha, com portas e repleta de peças de artilharia ([2], pp. 226-7). No mesmo ano, Tristão de Alencar Araripe, escritor, historiador e político brasileiro, ao publicar as informações de Avelino, sugeriu que tais vestígios pudessem ser da época de Atlântida ([2], p. 222). No início do século XX o professor austríaco Ludwig Shwenhagen, que se estabeleceu naquela região, propôs que as Sete Cidades teriam sido construídas pelos fenícios há cerca de três mil anos e, posteriormente, teriam sido destruídas por um desastre natural ([23], pp. 95-107). 

Para Baraldi, obras de artes mais elaboradas encontradas nas Américas e na
Anatólia (Turquia) poderiam ser vestígios culturais da desaparecida civilização Atlante.

O coronel Fawcett também se interessou pelo lugar, planejando visitá-lo após a sua expedição à cidade perdida de “Z” (1925) ([12], p. 48). Mas, infelizmente, o famoso explorador, considerado desaparecido, não retornou daquela fatídica expedição e assim não chegou a visitar as Sete Cidades. 
 
Segundo Baraldi, que se apoiava nas informações do antigo mapa-mundi lítico do deserto de Ocucaje, dezenas de milhares de anos nos separam das Sete Cidades, então a maior metrópole do continente. Em seu subsolo podem estar soterradas ruínas de casas e construções, onde possa ter vivido parte da extinta civilização atlante ([20]). Baraldi estava convencido de que toda a região Nordeste do Brasil fora parte da Atlântida, como também as ilhas de Fernando de Noronha e Ascensão sejam “remanescentes da explosão que afundou o Continente” ([20]).
 
Segundo o pesquisador, a idade da Atlântida seria de pelo menos 200 mil anos. “Os atlantes aprenderam a dominar a energia geotérmica, quer dizer, o calor do vulcão e conseguiram realizar grandes obras de engenharia para canalizar as águas. Atlântida foi, na realidade, uma grande confederação de povos que se chamava “Constelação” e se dividia na “Constelação do Cachorro”, do “Leão”, da “Cruz do Sul”, etc. O agrupamento tribal que hoje conhecemos é uma desagregação dessas antigas estruturas sociais simbolizadas por constelações e figuras de animais, que logo se transformaram em cultos totêmicos”. Como indicava Baraldi, “a Bíblia dos hebreus, o Popol Vuh dos maias-quichés da Guatemala e o Mahabarata falavam de grandes catástrofes, dilúvios e dos sobreviventes das grandes civilizações” ([25]).
 
Na opinião de Baraldi, já tivemos na Terra “várias civilizações humanas portadoras de grandes evoluções, mas que entraram em evidente decadência, ciclicamente. Algumas delas se extinguiram ao longo de milhões de anos, como atestam os livros sagrados da antiga Índia” ([25]). A catástrofe se deu “em consequência da mudança da posição do eixo terrestre e também na acumulação de águas nos pólos. Entre 17.500 e 13.500 a.C. ocorreu uma grande convulsão telúrica: maremotos provocados pelo deslocamento do eixo da terra transfiguraram a geografia terrestre. Entre 13.500 e 9.000 a.C. foi que se completou o assentamento das placas continentais que conhecemos na atualidade” ([25]).
 
A memória desta catástrofe foi preservada pelos hititas, herdeiros da extinta civilização e portadores da língua mais antiga. “A civilização hitita floresceu na planície de Anatólia, hoje Turquia, desde 2.500 anos antes de Cristo. Eles adquiriram alto nível mental, espiritual e técnico. Mas se conservou na sua memória e nas suas crônicas uma catástrofe muito antiga: a do arquipélago no meio do Oceano Atlântico. Se refugiaram em várias partes do mundo, como na Mesopotâmia. Mais tarde, lograram alcançar com suas embarcações as costas das Américas. O curioso é que as inscrições de Ingá se assemelham com as de Barranco de Candia e as de Hierro, que se encontram no arquipélago das Canárias” ([25]).
 
Certa vez, caiu nas mãos do coronel Fawcett uma misteriosa estatueta de basalto negro, com aproximadamente 25 cm de altura. A figura tinha em seu peito uma tabela com vários hieróglifos, e em torno dos seus tornozelos, uma fita inscrita com sinais parecidos. A estatueta supostamente vinha de uma antiga cidade perdida do Brasil. Fawcett estava convencido de que não era falsa, porque já tinha encontrado por separado 14 dos 24 caracteres esculpidos na estatueta nas peças da antiga cerâmica indígena. Catedráticos do Museu Britânico não puderam explicar a origem do ídolo, e Fawcett acudiu então a um psicometrista em Londres, que descreveu em estado de transe, com a estatueta na mão, a destruição do continente da “Atlanta”. Segundo essa descrição, um sacerdote pertencente ao povo dos “senhores absolutos do mundo”, guardião do ídolo, conseguiu escapar durante a catástrofe ([13], pp. 15-17).

O ídolo de basalto do Coronel Fawcett.
 
Os estudos epigráficos de Baraldi confirmaram parte das revelações do psicometrista e mostraram que Fawcett, não em vão, acreditava na origem atlante do ídolo. Depois de largos anos de pesquisas, Baraldi identificou símbolos referentes ao Império da Constelação de Navio. A escrita representava uma breve comunicação sobre uma catástrofe que ocorreu de forma súbita. Foi uma violenta erupção que, além da destruição, gerou uma gigantesca nuvem negra que impediu a entrada dos raios de sol, causando uma prolongada e temerosa noite artificial. A fome e a sede vitimaram aqueles que esperavam a ajuda dos “Senhores do Império da Constelação da Cruz do Sul” e que pregavam ao “Pai Branco”, o Sol, para que lhes devolvesse a luz ([16]).
 
Baraldi também foi iniciado nos segredos da Cueva de los Tayos, a gigantesca caverna equatoriana repleta de artefatos de ouro das civilizações antediluvianas (muitos dos quais, eram idênticos às antigas representações egípcias e mesopotâmicas), e conheceu pessoalmente aos principais atores dessa intrigante história, o explorador Juan Moricz e o padre Carlo Crespi Croci. O papel do próprio Baraldi no assunto, exposto de forma geral pelo pesquisador espanhol de mistérios Pablo Villarrubia Mauso ([24]), muito bem poderia ser tema de um ensaio à parte, mas aqui vamos mencionar apenas que Baraldi estabeleceu uma estreita amizade pessoal com o padre Crespi, também italiano e principal autor da descoberta. Por meio dessa amizade, Baraldi teve acesso exclusivo a várias placas metálicas jamais fotografadas, que foram armazenadas no colégio “Maria Auxiliadora” e, posteriormente, desapareceram em circunstâncias misteriosas. Uma dessas placas mostrava uma pirâmide escalada por dois felinos e coroada por um sol e duas serpentes. Na sua base apareciam dois elefantes e vários símbolos. Como comentava o pesquisador, “esta placa é uma lembrança de milhares de anos”.
 
Ocorreu uma gigantesca erupção vulcânica: o vulcão partiu-se no meio e cobriu rapidamente um grande território com a lava. O ápice da pirâmide que simboliza o sol da Terra significa o vulcão ativo. Os moradores diziam pertencer ao Império da Constelação do Cão Menor e seus parentes eram do Império da Constelação do Puma ou Cão Maior ([24], p. 36).
 
Obviamente, aquela inscrição falava sobre a mesma série de catástrofes descrita na mensagem gravada no ídolo de Fawcett: conforme a interpretação de Baraldi, a destruição desta vez alcançou o “Império da Constelação da Cruz do Sul”, cujos moradores imploraram à “Mãe Branca Lua” que limpasse com a água, o fogo e a fumaça que cobria os astros. Este cataclismo já supunha o extermínio da civilização inteira ([24], p. 36).

Detalhe da placa de ouro da Coleção Crespi, mostrando uma pirâmide
escalada por dois felinos e coroada por um sol e duas serpentes.
 
Baraldi também acreditava que os atlantes utilizavam as construções piramidais para a obtenção de energia, segundo mostram as imagens triangulares sobre o mapa lítico de Ica e as estátuas de Los Tayos. “Teria sido, inclusive, a explosão de uma dessas pirâmides a responsável pelo colapso do continente” ([20]). As estatuetas equatorianas, segundo o pesquisador, têm 10 mil anos de existência e foram moldadas por culturas remanescentes dos atlantes. Todas trazem desenhos de pirâmides em seus corpos e, quando sopradas, emitem assobios de tons variados. “Esses sons tinham certamente um significado que desconhecemos e, o mais curioso é que por mais que os escultores tenham reproduzido essas estatuetas, imitando fielmente seus traços, não conseguiram fazer com que elas emitissem som, isso mostra que elas foram feitas com uma técnica superior à nossa” ([20]).

Segundo afirmava Baraldi, “O mesmo padre Crespi me falou que os índios equatorianos tinham encontrado também uma colossal pirâmide de pedra, com imensos tesouros arqueológicos, de onde abasteciam o Museu que o religioso possuía no Colégio Salesiano de Cuenca... O padre Crespi mandou que a cobrissem e que ninguém mais falasse sobre ela para que não fosse saqueada” ([24], p. 35).
 
No entanto, a coisa mais impressionante é que as origens da pré-civilização universal não se encontravam na Atlântida, mais ainda mais longe, segundo Baraldi finalmente concluiu. Essas origens nem sequer se encontravam na Terra.
 
“(...) Os símbolos que encontrei entre os hieróglifos hititas e proto-hititas têm relação com povos extraterrestres. Isso, eu descobri numa placa metálica que foi recolhida de um OVNI caído em Roswell, Estados Unidos, em 1947. Foi uma coisa estranha que aconteceu, pois eu procurava, anteriormente, a origem na civilização Atlântida, mas durante a tradução aconteceram outras conexões diferentes. O proto-hitita poderia ser uma espécie de esperanto pré-histórico procedente das estrelas. O sentido dos ideogramas é complexo. Mesopotâmia, Brasil e a Ilha da Páscoa, seus monumentos, têm muitas semelhanças nas escritas antigas” ([25]).
 
E nessa conclusão — sobre a origem “estelar” da antiga escrita universal — o pesquisador foi fortemente apoiado por sua irmã Anna Baraldi Holst, pesquisadora do fenômeno OVNI. Ela está convencida de que os seres das estrelas – os “Deuses”, como eram chamados dos índios — desceram sobre o planeta há milhões de anos, fundando a primeira civilização da Terra ([16]).   


Baraldi e a Pedra do Ingá.

 
Epílogo
 
A morte impediu Gabriele Baraldi de completar suas pesquisas. Necessário dizer que o mundo acadêmico, sempre em defesa do paradigma ortodoxo, não aceitou as conclusões demasiadamente ousadas de um pesquisador independente, capaz de rever os problemas históricos de um ângulo totalmente novo.
 
Baraldi não conseguiu interessar aos cientistas turcos com a questão das inscrições proto-hititas da Pedra do Ingá, o que ele tentou em vão, entrando em contato com a embaixada da Turquia — país que, para ele, “dispõe dos melhores hititólogos do mundo” ([10]). Tampouco conseguiu atrair o interesse das autoridades brasileiras para conseguir apoio financeiro necessário às pesquisas arqueológicas no Parque Nacional de Sete Cidades. E mesmo a cidade perdida de Ingrejil, essa “Sacsahuaman brasileira”, ainda é pouco conhecida no mundo e chegou até ser considerada como meras “formações rochosas” por certos cientistas céticos no Brasil ([17], p. 137).
 
As razões dessa situação foram explicadas por Anna Baraldi Holst na entrevista de 2007, concedida a pesquisadora argentina Débora Goldstern, para o portal “Crónica Subterránea”. Segundo a irmã, “Gabriele fez muitos contatos, mas só agora o fruto está amadurecendo. Nos últimos anos, o interesse se fortificou e, certamente, o deve ser questão de tempo agora. É o que eu acho. Talvez, tenha faltado comunicação dele com figuras importantes da arqueologia, tanto na Europa, como explica em seu livro, como aqui no Brasil” ([16]).
 
No entanto, hoje podemos dizer sem hesitação: em grande parte, os pesquisadores alternativos estão chegando às mesmas conclusões do “último atlantólogo”. Primeiramente, pois trata-se de uma antiga escrita universal. 
 
Da existência dessa escrita, que Baraldi definia como proto-hitita, estavam já profundamente convencidos os atlantólogos britânicos Percy Fawcett ([26], pp. 61-62) e Harold Wilkins ([26], pp. 117-130). Hoje o pesquisador austríaco Klaus Dona, curador da famosa exposição “Unsolved Mysteries” (“Mistérios não resolvidos”), em Viena, cujo objeto de estudo são os OOPArts, ou “Artefatos Fora do Lugar”, juntamente com seus colegas, encontrou uma variedade de amostras dessa antiga escrita universal, indicando a existência de uma civilização global antes do sânscrito; ou seja, num período anterior aos 6000 anos.
 
Os mesmos caracteres aparecem escritos nas pedras e cerâmicas encontradas no Equador, Colômbia, Estados Unidos (Illinois), França (Glozel), Malta, Turquemenistão, Austrália e Itália (no sul da Calábria) ([11], p. 5). O finado professor Kurt Shildmann, Presidente da Associação Alemã da Linguística que, em 1994 decifrou a escrita da civilização do Vale do Indo, também logrou decifrar essa escrita universal que ele definiu como pré-sânscrita. Aliás, Shildmann, igualmente a Baraldi, notava a semelhança dessa escrita com a da Ilha de Páscoa ([11], p. 5). 50 caracteres, obviamente, também pertencentes à mesma escrita, foram encontrados em um dos blocos da Pirâmide do Sol, descoberta há alguns anos na Bósnia ([1]). 
 
No entanto, Shildmann efetuou a decifração da escrita pré-sânscrita sem tomar conhecimento dos resultados anteriormente alcançados por Gabriele Baraldi nos seus estudos da escrita proto-hitita. Dessa forma, seria muito interessante comparar os sistemas de decifração elaborados pelos dois epigrafistas. Esperemos a que tal comparação seja efetuada por peritos num futuro próximo.
 
As descobertas de Gabriele Baraldi confirmaram inequivocamente que o Brasil tem um passado pré-histórico desconhecido, no qual há lugar não somente às primitivas tribos indígenas – e, talvez, nem tanto. Ele estava convencido de que a história das Américas tem muito que contar e conseguiu descobrir uma antiga cidade perdida, literalmente, nas mesmas paragens, onde o coronel Fawcett não obteve sucesso.
 
No entanto, não era só o interesse arqueológico que levava Gabriele Baraldi a estudar os mistérios de um passado desconhecido. Segundo lembra Anna Baraldi, “Ele era um guerreiro incansável, e nunca perdeu a capacidade de sonhar, viver utopias, ou até mesmo de reinventá-las. Mantinha viva a chama da esperança, de aprender com os erros e acertos cometidos por grandes e pequenas civilizações do passado” ([16]).
 
Não há melhor maneira de finalizar o nosso relato, senão com as palavras do mesmo Gabriele Baraldi, que são uma síntese das lições e conclusões tiradas a partir de todas as suas pesquisas.
 
“A pergunta é: onde está a semente das futuras encarnações ou regeneração da Terra? A semente é espiritual, é uma vida que existe no espaço e no tempo, em qualquer dimensão. A preocupação ecológica que existe hoje é mais um sentimento de medo da desintegração de nossa humanidade. A vida está no espaço e no tempo, disposta a ressurgir no momento em que existir as condições favoráveis a ela. E nós, deveríamos ajudar. Por isso, não devemos ter medo das catástrofes, transformar-nos em fanáticos religiosos e alucinados seres humanos com medo do futuro” ([25]). 
 
Tal é o ensinamento e a esperança que nos deixou Gabriele D’Annunzio Baraldi — grande homem e humanista, um sagaz investigador dos mistérios do passado, ao qual temos agora a honra de apresentar ao leitor russo. 


 - Autoria e tradução do original em russo: Oleg I. Dyakonov, com revisão final e adaptações por Pepe Chaves.

- Imagens: Arquivos cedidos pela Família Baraldi, J.A. Fonseca, Joaquim das Virgens, reprodução de vídeo 'Gabriele Baraldi'.

- Produção em português: Pepe Chaves.



BIBLIOGRAFIA

1.   Ancient Worldwide Language.
 
2.   Araripe, Tristão de Alencar. Cidades petrificadas e inscripções lapidares no Brazil.  Revista do IHGB, volume L, parte I, 1887. P. 213-294.
 

6.   Braghine, Cel. Alexandre. Nossa herança da Atlântida. As mais antigas civilizações da Terra. Rio de Janeiro, Livr. Ed. Cátedra Ltda, 1971.
 
9.   Childress, David Hatcher. Lost cities & ancient mysteries of South America. Stelle, IL. Adventures Unlimited Pr., 1989.
 
12. Fawcett, Brian. Ruins in the Sky. Hutchinson of London, 1952.

13. Fawcett, Percy Harrison. Lost Trails, Lost Cities. New York : Funk & Wagnalls, 1953.

14. Fonseca, J. A. Os estudiosos diante do misterioso monólito do Ingá (Parte I de III). De Ingá-PB. Especial para Via  Fanzine & UFOVIA.
 

21. Muello, Peter. "Find Puts Man in America at Least 300,000 Years Ago", Dallas Times Herald, June 16, 1987. From: Science Frontiers ONLINE No. 54: Nov-Dec 1987.

22. Relação Histórica de uma oculta e grande povoação antiguíssima, sem moradores, que se descobriu no ano de 1753, nos sertões do Brasil; copiada de um manuscrito da Biblioteca Publica do Rio de Janeiro, 1754. Revista do IHGB, tomo I, n. 3, 1839. P. 151-155.
 
23. Schwennhagen, Ludwig. Antiga história do Brasil (de 1100 a. C. A 1500 d. C.). Tratado histórico. Segunda edição. Rio de Janeiro, Livr. Ed. Cátedra Ltda, 1970.
 
26. Wilkins, Harold T. Mysteries of Ancient South America. London : New York : Melbourne : Sidney : Rider & Co., 1946. 

Fonte: Portal oficial de Gabriele D'Annunzio Baraldi


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OLEG DYAKONOV
© Copyright 2012

* É permitido reproduzir este artigo somente citando o nome do autor e o portal http://www.gabrielebaraldi.arq.br

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