sexta-feira, 26 de abril de 2013

J. A. Fonseca (4): Cidades e povos perdidos do Brasil (2ª Parte)

O mito das cidades perdidas da América do Sul, especialmente do Brasil, como o Eldorado, Manoa, o Gran Paititi, etc., impregnaram com força as mentes ambiciosas dos primeiros colonizadores que aqui chegaram embalados pelas histórias contadas no Velho Mundo. 


Por J. A. FONSECA* 
Março/2013



Uma parede de pedra em Paraúna, Estado de Goiás.

 Nesta segunda parte o autor quer relatar o que de estranho ele encontrou em suas viagens e pesquisas a respeito do espinhoso tema que este artigo vem tratando e levantar uma dúvida contundente sobre a verdadeira história desta terra. Diante do que viu e das pesquisas que fez sobre trabalhos desenvolvidos por profissionais da área, pôde perceber que o problema das cidades e dos povos perdidos do Brasil, classificados apenas no campo da lenda, não pode ser relegado a um plano secundário, pois existe algo mais a ser estudado do que a cultura de grupos semi-selvagens e registros esparsos, sem a preocupação de preservar e aprofundar certos conhecimentos. 

Muitas ruínas que o autor encontrou e as inscrições de elevado grau de sofisticação que existem em diversos lugares, parecem ávidas em querer contar uma história mais antiga e mais complexa daquilo que o tempo, no decorrer dos milênios destruiu quase que totalmente, deixando apenas indeléveis pistas. Mas, não podemos, por causa disto, fechar os olhos para o que estes registros pretenderam comunicar, nem ignorar os remanescentes de construções antigas que foram descobertos em diversas regiões, sem falar dos que ainda não foram encontrados. 

Este autor viajou de norte a sul do Brasil e viu algumas coisas que o impressionaram muito e quer mostrá-las no decorrer da segunda parte deste artigo. Relembrará também algumas lendas ligadas a muitas destas regiões, considerando-se que a lenda é uma forma de história não escrita que permaneceu transmitida de boca para ouvido no decorrer dos milênios e que por isto teria sofrido grandes modificações em relação ao seu caráter original ou acontecimento, este fundamentado tem um fato real. Vamos iniciar pelo sul do Brasil e aportar na magnífica Vila Velha, em Ponta Grossa, no Estado do Paraná.

Vila Velha, a antiga Itacueretaba

Vila Velha é o nome dado ao conjunto de monumentos megalíticos de Itacueretaba que encantam pelas suas exuberantes e monumentais formações rochosas. Seu nome sagrado desde os tempos do domínio tupi-guarani em solo brasileiro era Abaretama, a cidade dos homens, protegida pelo deus Tupã. Hoje ela é constituída por formações de arenito que se assemelham a ruínas e atraem a atenção de muitos turistas que se surpreendem com suas estruturas colossais. Nesta condição, a lenda tupi não deixou de dar-lhe a denominação adequada, que passou a ser “Itacueretaba”, a cidade extinta de pedra, após sua destruição provocada pela ira divina.

Localiza-se à margem direita do Rio Tibagi, em imensa planície verdejante e seu conjunto “arquitetônico”, visto da estrada mais se parece com um gigantesco castelo em ruínas, com seus paredões se elevando sobre um pequeno monte. Este conglomerado constitui-se, de fato, de um conjunto colossal e fascinante, e quando observamos suas muralhas imponentes mais de perto, vem à nossa mente uma inquirição teimosa, dando crédito de que a lenda que envolve aquela bela região possa ter um fundo de verdade. Por isto, queremos também entrar no mérito desta lenda que venceu as barreiras do tempo e se consolidou em suas formas extravagantes, e que foi, durante milênios, resguardada pelos povos indígenas da raça tupi que habitavam aquela região.

Até hoje estes povos guardam na memória a antiga história do Abaretama e fazem de Vila Velha um local amaldiçoado, destruído pela ira de Tupã. O que ficou depois disto foi a cidade extinta de pedra, Itacueretaba, antiga terra da felicidade em seus primórdios e que era abençoada pela divindade.

Grandes muralhas mostram o poderio da antiga Itacueretaba.

Como já foi dito, seu nome antigo era Abaretama, a terra dos homens, e havia sido escolhida pelos primitivos habitantes da região, como a divina proteção do deus Tupã, para preservar o itainhareru, o precioso tesouro de seus antepassados. Este sagrado tesouro dos povos indígenas era vigiado dia e noite por um grupo de jovens chamados de apiabas, que se tratavam de moços escolhidos pelos mais velhos da tribo e selecionados dentre os rapazes de todas os grupos silvícolas e treinados com a única finalidade de vigiar e guardar esta riqueza milenar dos olhares inimigos.

O Abaretama sagrado transformara-se no Itacueretaba, a cidade destruída pela imperícia de um jovem, como testemunho da ira divina que havia sido desencadeada sobre os incautos responsáveis pelo milenar tesouro dos antepassados, o itainhareru.

Com a queda da raça tupi, o precioso tesouro, fundido, desapareceu e ficou representado pela lagoa que ainda se encontra entre as rochas e passou a se chamar Lagoa Dourada. Quando o sol desce sobre suas águas estas refletem uma misteriosa cor de ouro, como se fora o tesouro derretido que se escorreu para dentro dela, velando, para sempre, o segredo do Abaretama. 

Colunatas gigantescas e ruas por entre os maciços pétreos.

O que se pode dizer é que as estruturas monumentais de Itacueretaba mostram figuras estranhas, muralhas, colunas, grandes salões e corredores extensos, além de figuras “esculpidas” em formas variadas e de grandes proporções, deixando um quê de mistério sobre o que de fato elas teriam sido em passado remoto.

Vila Velha encanta por sua beleza descomunal e um pouco de lenda faz com que sua estranheza se torne ainda mais atraente, fazendo avivar em nosso íntimo um interesse oculto de vê-la com olhos mais atentos e perscrutadores. Há quem diga que a lenda é uma forma poética de preservar a verdadeira história da raça humana, seus erros e acertos para a posteridade, de forma que esta se mantenha viva e contundente. Lenda ou realidade geológica, suas pedras de formatos díspares parecem mesmo querer sussurrar em nossos ouvidos que algo se oculta por entre suas exuberantes formações rochosas, algo que ultrapassa em muito os estudos e as explicações dos especialistas, que também acatamos e guardamos com o devido respeito.

Monumentos líticos em Paraúna

A região de Paraúna, com suas monumentais formações rochosas é uma das mais misteriosas que já visitei. Lá, nos deparamos com belas estruturas em arenito, num complexo de monumentos, como ruínas de uma cidade abandonada, além de uma gigantesca “muralha” de pedra, em blocos de basalto retilíneos e inigualáveis “construções” em pedra e esfinges zoomorfas de origem desconhecida, para não falar de outros mistérios.

Paraúna está localizada no interior do Estado de Goiás, a sudoeste, numa região de planalto, onde podem ser encontradas grandes montanhas rochosas que lhe conferem uma característica bastante peculiar. Região de pecuária e de grande potencial turístico também possui grandes “monumentos pétreos” que parecem reportar a um tempo bem remoto do Brasil. A cidade é pequena e possui cerca de 12.000 habitantes.

Está distante de Goiânia a cerca de 160 km, sendo que seus pontos referenciais turísticos estão regularmente focados em direção a Ponte de Pedra, a Serra das Galés, aos rios que cortam a região e suas diversas cachoeiras. No entanto, Paraúna esconde muitos outros mistérios. Existem alguns monumentos que podem ser vistos em localidades próximas, que podem ser classificados, segundo o nosso ver, como primitivas reminiscências arquitetônicas de antigos povos que ali habitaram. 

Detalhe da muralha de 15 km de extensão, perdida nas matas de Paraúna.

Grande muralha

Iniciaremos pela grande muralha que foi exaustivamente pesquisada por Alódio Tovar. Afirmou o pesquisador que a esta muralha possui uma extensão de 15 km e está localizada a aproximadamente 35 km da cidade, numa região de fazendas, no vale da Serra da Portaria. Quando lá estive, ela se encontrava tomada por intensa vegetação, mal podendo ser vista da pequena estrada que passa por ela em direção às fazendas próximas.

É algo que muito impressiona e causa-nos estranheza encontrar uma “construção” megalítica como esta em pleno interior do Brasil, considerando-se que nossos antepassados mais recentes não eram dotados de capacidade para projetar e construir tais edificações. Andei sobre este grande monumento lítico por cerca de 20 metros adiante e vi que ela percorre uma grande distância. A intensa formação de arbustos ao seu redor impediu-me de caminhar ao seu lado, além de outros perigos como animais selvagens e cobras venenosas.

Serra da Arnica

Pedras colossais dando suporte a uma grande fortaleza. Abaixo, edificações em pedra.

Suas pedras, em posição retilínea, elevavam-se como contrafortes de uma grande muralha. De um lado (à esquerda), podíamos ver uma espécie de esfinge com caracteres humanóides e, de outro, (à direita), uma espécie de touro deitado sobre um pedestal. Percebemos a existência de uma forma de rampa que conduzia ao seu interior e, mais à direita, havia um outro contraforte, um conjunto pétreo imenso, com formações também semelhantes a uma esfinge, se bem que zoomorfa.

Estávamos diante de duas formações gigantescas, constituídas de grandes e pesados blocos maciços em pedra bruta, assemelhando-se a potentes muralhas ao lado de um grande portal destruído. Ao transitarmos (eu e minha esposa) por entre aqueles grandes blocos de pedra, não tínhamos dúvida de que nos encontrávamos diante de primitivas construções ciclópicas, provavelmente erguidas por um povo desconhecido, por meio de uma técnica não sabida. Estávamos perplexos com tudo aquilo e nos surpreendíamos a cada momento com aqueles monólitos de grandes proporções cortados e encaixados com precisão em seus “paredões” extravagantes e, certamente, reveladores de uma antiga história ocorrida no Brasil.

Logo na entrada havia uma grande parede de pedra construída de blocos linearmente cortados e encaixados, em perfeito aprumo. Algumas destas pedras trabalhadas eram de grandes proporções e, ao lado, havia alguns blocos perfeitamente cinzelados, como se tivessem sido deslocados do conjunto pela ação de uma força poderosa. As fotografias acima não deixam dúvidas sobre o que acabamos de dizer.

Detalhe de uma dos flancos da fortaleza.
Serra das Galés

É uma pequena elevação multiforme que de longe pode ser notada por suas formações de arenito, que se caracterizam por seus motivos zoomorfos, antropomorfos e outras configurações, igualmente deslumbrantes. Dista a cerca de 27 km da cidade de Paraúna e possui uma área de 269,14 hectares, hoje preservada pelo Patrimônio Natural local, a área é controlada pelo IBAMA.

Quando lá chegamos, já de imediato surpreendemo-nos com seu conjunto de formações belíssimas em pedra. Se o observarmos de certa elevação, podemos vê-lo de uma forma mais ampla e assim, dar margem à nossa imaginação, porque, com facilidade, poderíamos compará-lo com ruínas de uma cidade abandonada.

Seus “monumentos” e paredões rochosos elevam-se em toda a sua extensão em agrupamentos específicos, apresentando caracterizações variadas, como passagens entre as pedras, “ruas”, “praças”, esculturas gigantescas, etc., em meio a uma grande confusão de formas. Este aspecto de seu conjunto não tira a sua graciosidade e beleza, pois suas formações esparsas e em grandes conglomerados, deixam à mostra um emaranhado de figuras facilmente identificadas, algumas das quais, assemelhando-se a rostos humanos, figuras de animais, muralhas gigantescas, paredes, cálices, torres, e outros objetos de proporções consideráveis.

Formações naturais ou ruínas de uma cidade antiga ou pedras empilhadas ao acaso?

Fortificações em Mato Grosso e figuras em pedra

Próximo a cidade de Barra do Garças, num local de esplêndida beleza conhecido como Serra Azul, existem matas naturais e diversas cachoeiras, vegetação variada e paredões maciços, que propiciam uma caminhada especialmente agradável. Passando por riachos de água cristalina e subindo por elevações inclinadas, juntamente com um acompanhante, cheguei a um local surpreendente. Além de suas cachoeiras, que correm por entre fortificações pétreas proeminentes, nos vimos diante de verdadeiros paredões de basalto negro, cobertos de vegetação, com toda sua imponência e mistérios insondáveis. 

Uma escadaria em ruínas?

Quando subimos por suas encostas começamos a ver formações rochosas com suas figuras antropomorfas e zoomorfas, como se fossem esfinges guardiãs velando pelo segredo que insistem em ocultar do vulgo. Próximo a estas paredes milenares divisamos três pedras estranhamente “colocadas” em posição vertical e mais ou menos enfileiradas, como que demarcando um terreno específico ou algo de grande relevância. 

Três figuras enfileiradas sugerindo duas cabeças monumentais de um guerreiro e um leão.

Para chegar até elas subimos por uma espécie de escadaria, desgastada pelo tempo, até uma “plataforma” onde estas se erguiam imponentes. Apresentavam-se como três esfinges alinhadas umas com as outras, duas delas com fisionomias humanas ainda bem definidas e uma terceira, que se achava voltada para o vale, diante de um imenso paredão de basalto, com a forma de um leão, em posição de ataque.

Pelo desgaste natural dos tempos nestas pedras milenares, depreende-se que se tratava de monumentos esculpidos e que ali se encontravam com finalidades muito bem determinadas, como que sinalizando um novo mistério.


Detalhe de uma das formações.

Retornando a Barra do Garças, não poderíamos deixar de mencionar um dos mais enigmáticos monumentos pétreos que ali existem à disposição dos estudiosos. Atualmente ele se acha numa pequena praça, próxima ao Rio Araguaia, mas já esteve exposto em outros lugares da cidade [veja abaixo]. Apesar de estar já bem depredado, trata-se de um documento importantíssimo de uma era remota de nosso país. Trata-se de uma pedra de grandes proporções que se assemelha a um crânio humano. 

Pedra com inscrições que traz signos milenares e universais. 

Numa de suas faces estão gravadas as letras S. S. Arraya e a data de 1.871 e em outras três, diversos signos circulares e curvilíneos estão insculpidos. Segundo informam, o primeiro registro acima mencionado foi feito por um garimpeiro, pioneiro de Barra do Garças e tem valor histórico para o município. Quanto aos demais signos, não é sabido ao certo quem os teria feito nem qual seria seu significado. Ela assim foi encontrada às margens do Rio Araguaia e não se sabe qual teria sido o significado dos mesmos, pois vimos que entre eles se acham signos milenares que estão ligados a muitas outras culturas sobre o nosso planeta.

Colossal muralha de pedra e esfinge próximo à região do Bateia.


Não poderíamos deixar de mencionar também as descobertas que fizemos num sítio que foi nossa propriedade e se encontra nas proximidades do local conhecido como Bateia, a 40 km de Barra do Garças. Em minhas várias incursões pela região descobri marcas de um tempo desconhecido como duas formações retilíneas numa elevação do sítio que leva a uma espécie de platô e que pareciam posicionadas como se se tratassem de extensos muros de arrimo, percorrendo uma distância de aproximadamente 500 metros. Pedras enormes davam sustentação a estas paredes colossais e sua direção em alinhamento dava a indicação de que se tratava de fortificações construídas pela inteligência humana.

 O primeiro deles, mais acima, parece tratar-se de uma parede longitudinal, construída como elemento de contenção, com a utilização de blocos de menor proporção. Entretanto, a segunda, logo abaixo, que se estende pela encosta por uma grande extensão, possui consideráveis maciços pétreos e chega a atingir até cerca de quatro metros de altura em alguns lugares. Do lado desta colossal muralha, em determinada região, encontrei uma espécie de esfinge com aparência humana e uma parede constituída de um só bloco de pedra, de tamanho descomunal. No alto da elevação, numa grande área mais afastada, encontrei também formações rochosas peculiares, como construções em ruínas, com blocos de pedra cortados e ajustados deforma ordenada.

O rosto da Gavéa

Apesar de muitos observadores e pesquisadores da história do Brasil emitir a idéia de que a Pedra da Gávea seja uma esfinge construída por uma antiga civilização, os acadêmicos e a opinião oficial continuam a sustentar que tudo o que ali se encontra estampado seria fruto de operação natural, produzido pela erosão milenar, por obra do sol, do vento e da água. Ocorre que no alto desta pedra pode-se ver uma cabeça de proporções colossais, como se esta estivesse espreitando sobre a Baía de Guanabara, com sua imponência silenciosa e vigilante. Sua fisionomia austera, mas serena, apesar do desgaste do tempo, continua expressiva e imponente, olhando para o Norte, como se fixasse algo de relevante importância, podendo assim ser observada por qualquer pessoa.

O rosto da Gávea com as inscrições em seu dorso, traduzidas por Bernardo de Azevedo da Silva Ramos.

Pode-se ver facilmente a face de um homem barbado, parecendo portar um elmo sobre a cabeça, como se fosse uma esfinge de uma raça mais antiga. Suspeita-se que ela possa ser parte de um monumento bem maior, pois pode-se verificar uma estrutura contínua após a cabeça, como se fosse um corpo apoiado sobre o monte. Apesar do desgaste natural do tempo, ainda podem ser vistos os olhos, o nariz e a boca, uma espécie de elmo e uma barba volumosa que desce sobre o penhasco.

A impressão que se tem é que esta imensa cabeça esculpida em pedra teria sido ali colocada e ajustada ao corpo que se estende a seguir, o qual se assemelha ao de um leão deitado. Afirma-se que seu corpo é de granito e que a cabeça é feita de gnaisse, um tipo de rocha metamórfica constituída de cristais de mica, quartzo e feldspato, possuindo 286 metros de altura. Se isto for confirmado, temos um outro grande problema a resolver, além dos muitos outros em diversas partes do Brasil e do mundo. Quem a teria construído e colocado naquela posição, se ela se encontra numa altura considerável, a cerca de 550 metros acima do nível do mar? E por quais meios isto teria sido feito?

Ela possui também no seu lado oposto grandes ranhuras na pedra em sequência, que se assemelham a caracteres antigos, tendo sido copiados e pesquisados no Brasil. Bernardo de Azevedo da Silva Ramos afirma se tratar de signos fenícios e deu a eles uma tradução que consta de seu volumoso trabalho “Inscrições e Tradições da América Pré-Histórica, especialmente do Brasil” – Vol. I, editado pela Imprensa Nacional do Rio de Janeiro, em 1930.

Enigmáticos monumentos em Sete Cidades

O complexo de Sete Cidades poderia ser de origem fenícia ou fundada pelos antigos vikings? Poderia ser de origem bem mais remota ou seria apenas um conjunto de rochas deformadas pela própria ação da natureza?

De fato, Sete Cidades é um conglomerado de pedras multiformes que se localiza em pleno sertão piauiense, entre as cidades de Piripiri e Piracuruca, a aproximadamente 200 km de Teresina. É um conjunto megalítico formado por pedras gigantescas de formas variadas, montanhas, morros e elevações que se assemelham a castelos e casas em ruínas, além de outras figuras semelhantes a esculturas com intrigantes formações, já desgastadas pelo tempo. Com cerca de 20 km2 de área total, suas diversas elevações rochosas de formatos inimagináveis sugerem muitas hipóteses. Dentre estas, que venham se tratar de dólmens, menires e esculturas de épocas remotas, produzidas por uma cultura milenar. 

Muros colossais e inscrições sofisticadas em Sete Cidades. Abaixo, uma torre de um castelo em ruínas.

Ao penetrar por entre estas gigantescas muralhas e blocos pétreos de formas expressivas, tem-se a impressão de que se está andando por ruas e praças de uma possante fortaleza destruída por forças muito poderosas, que deixaram a descoberto alguns aspectos de seu poderio. Diante disto alguns pesquisadores ousaram emitir opiniões como, por exemplo, de que esta região teria sido palco de uma antiga civilização num passado muito distante, sendo aquelas formações rochosas nada mais que ruínas de um grande império.

Para os geólogos, Sete Cidades seria apenas o resultado de um processo geológico natural iniciado há cerca de 190 milhões de anos. Suas formações rochosas de arenitos laminados e maciços teriam sido caprichosamente modelados durante milênios pela ação da chuva e dos ventos fortes na região. Teriam ocorrido também fraturas nas rochas, produzidas por chuvas torrenciais e ventos carregados de areia, surgindo, em decorrência, canais gigantescos e distanciamentos entre as rochas, fazendo-os assemelharem-se a ruas e praças de uma cidade destruída e abandonada. Entretanto, tanto o visitante observador quanto o pesquisador perspicaz sentem-se diminutos diante de tão exuberantes monumentos pétreos que se elevam silenciosos e imponentes, como se quisessem ocultar evidências de um passado obscuro e se calar diante da curiosidade de todos aqueles que se aproximam dali.

Se quisermos aceitar esta proposição, que simplifica, sobremaneira, a sua existência em pleno sertão brasileiro, não deixemos de nos ater com acuidade sobre as mais de 2000 inscrições rupestres que ali se encontram espalhadas, como um quebra-cabeças a ser decifrado. E consideremos que dentre suas variadas e expressivas figuras gravadas em tinta vermelha, possam ser constatados estranhos símbolos e imagens incompreensíveis, além de signos de um alfabeto primitivo ou desaparecido na noite dos tempos.

Detalhe de um dos monumentos pétreos em Sete Cidades.

O conglomerado de Sete Cidades poderia ser considerado como um dos maiores acervos pré-históricos das Américas e porque não dizer, da humanidade, pois guarda em seus domínios uma rica evidenciação de atividade primitiva, preservando caracteres de caráter universal que se assemelham a muitos outros que são encontrados em diversas partes do mundo, inclusive, em outras regiões do Brasil. Entretanto, depreende-se que estas inscrições são de caráter muito mais recente do que o são seus monumentos gigantescos, apesar de também se remontarem a uma época bem anterior à descoberta das Américas.

Pode-se notar que muitas destas inscrições estão relacionadas a povos primitivos, por causa de suas características simples e rudimentares, demonstrando aspectos comuns das preocupações da vida daquele povo, mãos carimbadas e marcações simples nas rochas. Outros, porém, se mostram com maior grau de sofisticação e parecem querer representar uma idéia ou lampejos de algo que se perdeu por alguma razão forte, em face de sua complexidade, reivindicando uma conotação ideográfica e uma condição mais desafiante e de caráter próximo do indecifrável.

Estranhas inscrições do Ingá

A pedra lavrada do Ingá é um dos mais estranhos monumentos arqueológicos que encontrei em minhas viagens pelo interior do Brasil. Segundo se sabe, continua sendo a “pedra no sapato” dos estudiosos pela complexidade de suas figuras insculpidas na rocha e pelo seu sofisticado simbolismo. Possui aproximadamente 23 metros de comprimento e na sua parte mais alta mede 3,5 m, exibindo uma face lavrada com cerca de 40 metros quadrados de misteriosos caracteres. 


Reprodução das inscrições da pedra do Ingá, constituindo-se de um conjunto coeso e complexo, pouco compatível com os rabiscos desconexos dos antigos habitantes das cavernas.


O estranho monólito que compõe a Pedra do Ingá é conhecido praticamente desde a descoberta do Brasil, pois se sabe que o mesmo foi citado pela primeira vez em 1618, no livro “Diálogos da Grandeza do Brasil”, atribuído ao português Ambrósio Fernandes Brandão. É provável que este monumento tenha seu lugar reservado entre os mais intrigantes enigmas arqueológicos já descobertos em nosso planeta.

É sabido que se trata do maior, mais complexo e mais misterioso conjunto rupestre que reporta a um passado desconhecido e carrega consigo uma grande quantidade de caracteres e signos ainda por serem decifrados. Localiza-se no estado da Paraíba, na Serra da Borborema, município de Ingá, às margens do rio de mesmo nome, antigo Bacamarte, a 85 km de João Pessoa e a 35 km de Campina Grande. Na época da chuva este grande monólito fica parcialmente encoberto pela água e no tempo seco pode ser visto em sua totalidade, além de que, o leito do rio fica completamente seco, com apenas algumas poças d’água espalhadas em quase toda a sua extensão.
 

Detalhe das estranhas insculturas do Ingá.

As inscrições da Pedra do Ingá se estendem por todo o seu dorso vertical, numa extensão de aproximadamente 16 metros. Estas são, de fato, de uma estranheza indescritível. E somente vendo-as de perto podemos perceber a complexidade de seus talhes bem elaborados e deduzir que, quanto mais tentamos retroagir no tempo para atribuir aos caracteres deste acervo arqueológico uma explicação simplista, de que teriam sido produzidos por povos primitivos ou indígenas, por exemplo, mais estes se distanciam de uma realidade palpável e mais seu mistério se intensifica.

Pensa-se que suas insculturas foram executadas por meio de algum tipo de instrumento pontiagudo, que teria sido manipulado por homens de um tempo antigo, semi-bárbaros, até produzir os baixos relevos que ali se encontram incrustados. O que não se pode explicar, entretanto, é que estes signos possuem um acabamento primoroso, como se tivessem sido elaborados por métodos muito avançados e não, simplesmente, por intermédio de pancadas ou ranhuras na pedra feitas por ferramentas comuns.

Definitivamente, este magnífico trabalho não poderia ter uma explicação comum, como a que lhe é dada por alguns pesquisadores e não pode, simplesmente, estar ligado a tradições corriqueiras de povos que sequer possuíam alguma forma de escrita. A nosso ver, diante de sua complexidade, trata-se de uma forma de comunicação construída com arte e ao mesmo tempo com o intuito de informar, e cuja chave traz ela mesmo gravada junto de seus caracteres preciosos, aguardando o momento para serem decifrados. É um enigma, não resta dúvida, e comprova a existência de uma milenar cultura no passado do Brasil.

O Livro de Pedra de Montalvânia

Montalvânia é outra localidade no norte de Minas Gerais que pode enquadrar-se nesta seleção de mistérios do Brasil e coloca-se na condição de ter acolhido um povo que deixou significativas marcas de sua estadia naquela região, num tempo muito remoto de nossa história. Em pleno sertão mineiro, ela veio situar-se às margens do rio Cochá, no vale do Carinhanha, bacia do São Francisco, tendo como uma de suas maiores atividades a agropecuária.

Em suas proximidades podem ser avistados diversos maciços rochosos, nos quais podem ser encontradas algumas grutas e cavernas com estranhas e variadas inscrições rupestres, que fazem desconcertar os conceitos do mais aguçado pesquisador. Observando-as de perto nossa mente se perde em conjecturas e obriga-nos, diante de seu misterioso e milenar acervo mnemônico, a externar uma pergunta que anseia avidamente por uma resposta, que suspeitamos, não possa ser respondida, pelo menos, por enquanto: o que afinal teria acontecido em Montalvania?

Montalvão, seu descobridor, sempre acreditou que naquelas grutas ao redor da cidade estavam gravados registros de um passado não somente misterioso, mas também intrigante, de uma época desconhecida da história de nosso planeta, em face de seus enigmáticos caracteres e formas variadas insculpidas em suas pedras.

Ali se podem ver reunidas figuras variadíssimas gravadas na rocha em grande quantidade e numa aparente “confusão”, algumas apresentando caracteres humanos, outras zoomorfas, figuras simbólicas e muitas formas desconhecidas, como que se quisessem guardar um grande mistério, uma história de dor ou de grande apreensão. Ou mesmo, um manancial de conhecimentos que havia sido perdido, para que os homens de uma época futura pudessem resgatá-los, mesmo que em parte.

Acreditamos, existe algo bem mais profundo em relação ao que ficou gravado nas pedras de suas grutas e cavernas, do que apenas rabiscos inconsequentes de homens primitivos, amedrontados e incultos. Pode-se perceber a existência de uma idéia central, que mistura homens, certo conhecimento representado por figuras desconhecidas e mesmo animais. Carregam um peso dramático e demasiadamente forte em suas expressões, alguma coisa que se perdeu por ação de uma força muito grande ou que teria sido presenciada por este grupo de homens inquietos e os teria feito agir como verdadeiros escribas do tempo. 


Inscrições complexas em e em grande profusão. O que levou aqueles povos a "escrever" na rocha os enigmáticos signos no livro de pedra de Montalvânia?



Vale do Guaporé–MT

O Vale do Rio Guaporé, próximo a Chapada dos Parecis no Mato Grosso, segundo constatações feitas por pesquisadores, oculta ruínas de cidades abandonadas que até o momento não foram ainda estudadas. De acordo com o professor Aurélio M. G. de Abreu, os arqueólogos brasileiros não parecem concordar com isto e não têm interesse em pesquisar estas e outras regiões brasileiras.

Apesar de existirem diversas narrativas sobre estas ruínas e documentação escrita por estudiosos que ali estiveram, pesquisas arqueológicas não foram desenvolvidas na região, pois os relatos e o material reunido sobre as mesmas não foram considerados dignos de crédito. Entretanto, o professor Luiz Caldas Tibiriçá e seu companheiro de viagem Fábio Daró conseguiram chegar até elas e segundo relataram, encontram-se completamente encobertas pela vegetação, podendo ser vistas muralhas construídas em pedras e paredes de adobe.

O local, segundo descreveram, é de difícil acesso e permanência, por causa de serpentes e mosquitos, mas o que viram não deixa de causar espanto. Existem ali, além de paredes em ruínas, colunas de pedras colossais e plataformas retangulares muito estranhas. Segundo tradições orais, já foram vistos na região índios diferentes dos já habitualmente encontrados no Brasil, usando trajes incomuns e jóias de ouro e prata. Muito pouco os pesquisadores puderam concluir, pois esta é uma região ainda muito inóspita e de grande conflito entre os proprietários de terras e os garimpeiros. Ficou, entretanto, comprovado que existe, de fato, naquela região remota do vale do Guaporé alguma coisa a ser pesquisada e que tem a ver com a história mais antiga do Brasil.

Monte Alto–BA

Nos limites dos municípios de Guanambi e Palmas de Monte Alto, no sul da Bahia, numa região conhecida por Brejo das Pontas, encontra-se em ruínas uma cidade abandonada. É chamada de Santuário de Monte Alto e um grande mistério a envolve, pois é constituída de menires gigantescos, com pedras cortadas e alinhadas, como se se tratasse de construções megalíticas. De outro lado, elas não combinam com as culturas silvícolas encontradas nestas terras quando do descobrimento do Brasil e se tratam, por certo, de restos de outros agrupamentos de povos que aqui viveram em passado mais longínquo.

Segundo o pesquisador Luis Galdino, que lá esteve, este conjunto pétreo possui alinhamentos de pedra dispostas entre si, por uma extensão de, aproximadamente, 1 km, além de se acharem esparsos, restos de construções em pedra de dimensões razoáveis e perfeitamente cinzeladas. Este sítio arqueológico se localiza a cerca de 20 km da cidade de Palmas de Monte Alto, numa região de difícil acesso.

Próximo aos pilares e alinhamentos corre o riacho das Pontas e mais adiante o rio Curral de Pedras, e às suas margens podem ser encontrados rochedos em posicionamento vertical, como se fechassem uma área retangular. Monte Alto e suas ruínas estão lá para serem pesquisadas, pois não se poderiam simplesmente classificá-las como formações naturais atacadas pela erosão e pelas intempéries e, tampouco, que seus autores teriam sido os já conhecidos indígenas brasileiros, que possuíam, como é do conhecimento de todos, uma forma de cultura mais ou menos equivalente em todo o território ocupado por eles, nada tendo a ver com construções desta envergadura.

Ingrejil e Beta–BA

Ingregil é um importantíssimo sítio arqueológico descoberto no interior baiano, a 720 km de Salvador que, segundo os especialistas pode ser muito anterior à descoberta do Brasil. Por isto, seu estudo poderia ocasionar profundas influências na história das conquistas portuguesas e espanholas daquela época e até mesmo mudanças em relação às perspectivas sobre o passado de nossa terra. 

O pesquisador Gabriele Baraldi.

Estas ruínas colossais foram descobertas pelo pesquisador Gabriele Baraldi em 1984, numa expedição constituída também pelo linguista Luiz Caldas Tibiriçá e o médico Fábio Daró. Da pequena cidade de Nossa Senhora do Livramento, os dois seguiram para Beta e Baraldi para a região inóspita da chamada Ingrejil, onde encontrou as impressionantes ruínas que ele detalhou mais tarde. Foram os habitantes da região que as chamavam de Ingrejil e, realmente, segundo Baraldi, elas parecem-se compor de restos de uma fortaleza construída em pedra, com inúmeras pinturas rupestres e fragmentos líticos, machados e outros artefatos confeccionados em pedra. Foram encontrados alguns blocos de tamanho significativo que lembravam dolmens, como também muitas pedras cortadas e ajustadas, semelhantes a ruínas de uma civilização extinta, parecendo tratar-se de uma grande fortaleza no alto da montanha, num local de difícil acesso.

Baraldi disse que Ingrejil possui fundações e paredes bem consolidadas, que ali foram levantadas com evoluídas técnicas de construção, podendo ter sua idade retroagida a aproximadamente 2000 anos a.C. O pesquisador afirmou também que sua localização é de difícil acesso e para atingir o alto da montanha onde ela se encontra exige-se uma caminhada de seis horas em terreno íngreme, em meio a muita vegetação e animais peçonhentos. Baraldi encontrou inúmeras evidências de vida nesta região como menires alinhados e parte de uma parede de pedras, aterramentos artificiais do terreno, riachos, pedras de grandes proporções cortadas em ângulos retos, além de peças como diversas pontas de machado em pedra, sendo um de cristal, além de cacos de cerâmica.

Não muito longe dali, os outros dois pesquisadores Tibiriçá e Daró encontraram outro conjunto, denominado Beta, que também possui conglomerados em ruínas, como construções em pedra com datações não identificadas e outras em adobe, estas, certamente, muito mais recentes. Os restos das edificações, segundo os pesquisadores, lembram as construções incaicas, podendo ter sido influenciadas por aqueles povos. Não somente na Bahia, mas também em outros estados do Brasil, podem ser encontradas ruínas deste tipo, cuja arquitetura não coincide com a cultura dos silvícolas brasileiros, abrindo um grande questionamento a respeito de outros povos que aqui teriam vivido.

Natividade da Serra

Queremos também chamar a atenção para a região de Natividade da Serra, pertencente à Mesorregião do Vale do Paraíba Paulista, onde o pesquisador Carlos Pérez Gomar fez alguns estudos. Segundo ele, estas ruínas localizam-se no bairro Palmeiras, lugar onde foram encontrados grandes blocos de pedras finamente trabalhados, como gigantescos paralelepípedos, remexidos e esparramados por diversos lugares. Gomar constatou em seus estudos que estes blocos são de granito e que chegam a pesar cerca de 500 a 1200 kg, sendo perfeitamente polidos e regulares, podendo ter sido utilizados em grandes construções de um passado distante.

Blocos de pedras com denodado polimentos e cantos arredondados, encontrados em Natividade da Serra.

Outra coisa que lhe chamou a atenção do pesquisador, é que os blocos se encontram em uma área bastante extensa e que poderia fazer parte de muitas outras edificações que poderia haver ali.

O pesquisador Perez Gomar chama a atenção para a necessidade de se pesquisar mais profundamente o local, pois o mesmo corre o risco de cair no esquecimento e ser destruído, como já aconteceu com muitos outros locais históricos do Brasil.

Conclusão

Que povos teriam sido estes, que cortaram a pedra com grande habilidade e as assentaram com precisão, além dos outros que trabalharam a cerâmica com extrema sensibilidade e arte. Inclusive, destacando o seu aspecto decorativo. Sabemos que as populações indígenas em suas variadas etnias encontradas no Brasil, excetuando-se a tupi e a guarani, que desenvolveram também belos trabalhos de cerâmica, não sabiam trabalhar com a argila tão bem e muito menos com pedras. E sequer estes grupos as utilizavam, pois cultivavam um tipo de vida simples à base de caça e pesca, com a utilização de instrumentos simples de madeira, habitando em ocas construídas também, essencialmente, com a utilização de produtos extraídos da floresta.

Temos ainda a questão das inscrições em pedra de caráter mais sofisticado, sem deixar de mencionar também àquelas de caráter mais cotidiano, considerando o fato de que tais povos indígenas não tinham o hábito de produzir trabalhos desta natureza. Temos aí, sem dúvida - e isto não se pode contestar - uma questão histórica a ser desvendada sobre o passado destas antigas terras brasis, que por certo remontará a um tempo bem anterior ao que os estudiosos vêm-lhe atribuindo.

Na terceira parte deste trabalho vamos tratar destas misteriosas e relevantes inscrições rupestres e cerâmicas encontras em toda a parte e que trazem importantes reflexões sobre os povos que as teriam construído, bem como, ao simbolismo que se acha encerrado nestas figuras e caracteres, muitos dos quais, de origem não conhecida dos povos brasilienses que aqui viviam na época do descobrimento. 


* J.A. Fonseca é economista, aposentado, espiritualista, conferencista, pesquisador e escritor, e tem-se aprofundado no estudo da arqueologia brasileira e realizado incursões em diversas regiões do Brasil com o intuito de melhor compreender seus mistérios milenares. É articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br) e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA.

- Fotos: J.A. Fonseca, Arquivo Gabriele Baraldi e Carlos P. Gomar.

- Ilustrações: J.A. Fonseca.





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