sábado, 27 de abril de 2013

J. A. Fonseca (5): Cidades e povos perdidos do Brasil (3ª Parte)

O mito das cidades perdidas da América do Sul, especialmente do Brasil, como o Eldorado, Manoa, o Gran Paititi, etc., impregnaram com força as mentes ambiciosas dos primeiros colonizadores que aqui chegaram embalados pelas histórias contadas no Velho Mundo.



Por J. A. FONSECA*
Abril/2013


Insculturas em Montalvânia, interior de Minas Gerais.

Nesta terceira parte deste artigo vamo-nos incursionar para outro enigma que atormenta os estudiosos do passado do Brasil, tormento este que não cessa nem mesmo quando se pretende abordá-lo sob uma ótica mais simplista e que trata da questão das inscrições rupestres encontradas em toda a parte. O que vamos mostrar doravante são registros que, em geral, já receberam a atenção dos especialistas e muitos destes foram alvos de observações “in loco” por este autor, que também decidiu emitir a sua opinião. Ao analisá-los sob um enfoque mais palpável possível procurou, entretanto, não deixar de anotar a estranheza de certos elementos presentes nestas manifestações que, aparentemente, não se relacionam entre si. O seja, não possuem elementos que possam dar-lhes explicações regulares, mesmo estando estes ao lado de outros registros que apresentam uma condição mais natural de entendimento e lógica, num contexto histórico que mostra características de agrupamentos humanos em passado longínquo.

Vamos iniciar pelas regiões Norte e Nordeste do Brasil, pois foi onde encontramos em nossas pesquisas e viagens um grande acúmulo de registros pictóricos, símbolos e insculturas de relativa complexidade e estranheza. Destacando a presença de outros elementos de ordem não convencional, se abordados diante das condições em que viviam os povos indígenas que habitavam o Brasil quando de sua descoberta, como iremos demonstrar.

Estranhas inscrições nos Estados do Amazonas e Pará

A Amazônia continua sendo um vasto “celeiro” de mistérios em relação às populações humanas que ali viveram em passado mais remoto e a pesquisa nesta região tem ainda muito a desvelar daquilo que a floresta vem ocultando. Daremos destaque a uma série de figuras e registros gráficos que já foram estudados por eminentes pesquisadores brasileiros e mostraremos, mediante ilustrações, que existe algo mais aí do que traços desconexos ou grafismos sem objetivos pré-determinados e inteligentes.

Itacoatiara

É uma cidade amazonense localizada às margens do Rio Amazonas e a cerca de 270 km de Manaus. Próximo à cidade podem ser encontrados diversos monólitos pétreos às margens do rio, muitos dos quais guardavam inscrições variadas, semelhantes a uma escrita. Segundo o pesquisador Bernardo Ramos que as pesquisou trata-se de escrita fenícia e teria sido elaborada por navegantes que estiveram nestas regiões há muitos milênios. Para ele “as inscrições de Itacoatiara e suas regiões não ditam apenas uma tradição valiosa, elas transmitem-nos muito mais – um hino de uma nova alvorada, inspirado por um povo que aqui aportou, nesses passados séculos, e tomou posse ou domínio desta prodigiosa região, povo cujos feitos vinham sendo sepultados no mais inexplicável e misterioso esquecimento.”

Bernardo Ramos tinha convicção de que estas inscrições teriam sido feitas por povos fenícios e, com o auxílio do alfabeto hebraico, ordenou-as no contexto deste alfabeto e as traduziu. Não vamos afirmar se as suas idéias e traduções correspondem ao que se fato representam, mas seu trabalho é de relevante importância e a estranheza destas “letras” nos conduz a pensar tratarem-se mesmo de uma escrita verdadeira. As pedras onde as inscrições estavam gravadas encontravam-se às margens do Rio Amazonas e algum destas foram deslocadas pelo impulso das águas e pela erosão, além de que, de forma irresponsável, foram também extraídas pedras ao lado das mesmas para diversos fins e construções. Alguns destes blocos, já antes de 1930, quando Bernardo Ramos lá esteve, estavam perdendo sustentação, conforme este afirma e afundando-se sob as águas do Rio Amazonas. 



É, pois, provável que nos dias de hoje já estejam todos ou a maior parte submersos e que outros tenham sido destruídos para a retirada de pedras para finalidades diversas na cidade que veio se expandindo rapidamente. É ainda lamentável que “documentos” de elevado valor histórico como estes venham sendo dilapidados em todo o país e muitos deles abandonados à sua própria sorte, como se nenhum valor tivessem para a história e para a cultura do povo brasileiro e de todo o planeta.

Rio Urubu

É um afluente do Amazonas e desemboca próximo da Ilha da Trindade, não muito distante da cidade de Itacoatiara. Seguindo os estudos feitos por Bernardo Ramos, às suas margens podem ser encontradas inúmeras inscrições rupestres em forma de escrita que ele também atribui aos povos fenícios, cananeus ou gregos, em suas investidas em terras brasileiras. As inscrições aí encontradas se assemelham muito às que foram pesquisadas em Itacoatiara, também muito parecidas com uma forma de escrita de algum povo que por ali tivesse passado ou vivido há muito tempo. 



As inscrições que aqui estamos mostrando e que fazem parte do monumental trabalho de Bernardo Ramos foram por ele pesquisadas na localidade denominada Sangay, que se trata de um pequeno rio que é afluente do Urubu e raramente navegado. Em tupi Sangay significa água dos banhados, água das inundações e foi neste local que o notável pesquisador encontrou as inscrições que reproduzimos aqui, copiadas do seu livro e que fazem parte de nossos estudos sobre os signos brasileiros e a existência de uma provável escrita nos tempos mais antigos do Brasil.

Pará

A obra de Edithe Pereira “Arte Rupestre na Amazônia – Pará”, arqueóloga paraense do Museu Emílio Goeldi, veio demonstrar com riqueza de detalhes como é vasta e diversificada a incidência de inscrições rupestres neste estado e como tem muito ainda a ser pesquisado em toda a Amazônia. Segundo a autora, o que se chama de arte rupestre é uma “denominação genérica dada aos desenhos elaborados na superfície das rochas pelas técnicas da pintura ou gravação”. Afirma ainda que tais demonstrações de “arte” se acham presentes em todos os continentes e podem alcançar mais de trinta mil anos.

Os estudos elaborados por esta autora constataram que a maior área de concentração das inscrições é a bacia do rio Trombetas, sucedida pela bacia dos rios Araguaia e Tocantins, seguida pela região de Monte Alegre, bacia do rio Xingu, Prainha e, finalmente, Alenquer. A maior quantidade da chamada “arte rupestre” está representada por gravuras, uma terça parte dela por pinturas e um outro grupo, com raríssimas manifestações, por gravuras somente pintadas.

Vamos abordar aqui algumas destas manifestações que julgamos bem significativas e que fazem parte deste estudo arqueológico inestimável da arqueóloga Edithe Pereira, focalizando o objetivo de nosso trabalho, ou seja, o de mostrar o que há de estranho nas demonstrações de arte rupestre no Brasil e os famosos “letreiros”, que dão indicações de que muitos dos signos que fazem parte dos alfabetos mais conhecidos, também eram, de alguma forma, do conhecimento destes autores desconhecidos de antanho.

Bacia do Rio Trombetas




Na bacia do rio Trombetas, especialmente ao longo do curso dos rios Mapuera, Cachorro e Erepecuru é que se podem ver uma grande quantidade de figuras gravadas nas pedras. Muitas destas inscrições já vinham sendo observadas desde o início do século XX, quando algumas expedições exploradoras foram efetuadas na região. Neste trabalho iremos destacar as mais significativas destas manifestações de “arte” encontradas ao longo desta bacia e de outras, dando mais ênfase ao seu sentido de escrita, mais acentuado do que o seu sentido de arte propriamente dito, como se podem notar pelas ilustrações que abaixo anexamos.

Bacia do Rio Araguaia e Tocantins 




Na bacia dos rios Araguaia e Tocantins foram também encontradas grandes concentrações de inscrições rupestres que, em geral, ocorrem em ilhas e lajedos às margens dos rios. Em várias regiões, hoje classificadas como sítios arqueológicos foram documentadas muitas figuras gravadas nas pedras e fragmentos de antigos registros rupestres. Também aqui estamos destacando os mais significativos para dar suporte à tese que viemos desenvolvendo, de que possam também tratar-se de uma escrita primitiva ou parte dela, perdida em meio a estas figuras extravagantes e hieróglifos amazônicos.

Monte Alegre



Na área denominada Monte Alegre também se concentram muitos sítios arqueológicos com uma grande variedade de pinturas espalhadas por paredões, abrigos e grutas. Já foram catalogados um total de 14 sítios nesta região. Estes se agrupam em três serras da região, uma chamada de Ererê, outra de Paituna e uma terceira de Bode ou Aroxi, segundo alguns. O nome Ererê quer dizer “mais uma vez adeus” e Paituna “lago das águas negras”; são duas serras próximas e possuem 300 e 200 metros de altura, respectivamente, de forma que as pinturas que ali se podem ver estão posicionadas nos pontos mais altos, em paredões íngremes. A arqueóloga Edithe Pereira disse que quem primeiro catalogou os registros das inscrições rupestres de Monte Alegre foi o naturalista inglês Alfred Wallace, em 1848, o qual, teria afirmado que as pinturas pareciam ser muito recentes, pois estavam ainda muito nítidas, apesar de que ninguém sabia dizer ao certo qual deveria ser a sua idade verdadeira.

Bacia do Rio Xingu



Na bacia do Xingu também foram encontrados certos “grafismos” na rocha que muito se assemelham a letras, algumas excepcionalmente parecidas com letras latinas. Em sua maioria os sítios classificados nesta região se acham próximos de rios, de cachoeiras ou em ilhas ao longo do rio. Dentre os muitos mistérios que envolvem as inscrições desta região estão muitas figuras estranhas de elevada complexidade, como se se tratassem de desenhos técnicos ou descrições importantes para quem as produziu. Uma destas estranhezas foi encontrada próximo à Cachoeira Itamaracá, no município de Anapu. Trata-se de um esquema muito bem produzido de algo de grande relevância, pois apresenta um intricado entrelaçamento de elementos desconhecidos, vasos ligados por fios e painéis que se assemelham a aparelhos de televisão modernos. Abaixo desta estranha figura dois signos semelhantes a letras latinas se destacam.

Alenquer



No local chamado Alenquer, a Cidade dos Deuses, a cerca de 170 km de Monte Alegre, existem misteriosas formações rochosas que contribuem para aumentar ainda mais nossas reflexões a respeito da antiguidade destas terras brasileiras e daquilo que ela continua escondendo em suas florestas tropicais. Ali também podem ser encontrados alguns sítios arqueológicos com pinturas rupestres trabalhadas em vermelho e, como as outras, muito estranhas. Estão em bom estado de conservação, segundo os pesquisadores, pois se encontram em abrigos e estão assim mais protegidas das intempéries naturais.

Outras localidades



No Paredão Valha-me Deus, no município de Altamira, em uma pedra sob a forma de um abrigo, Celso Perota, em 1977, registrou inscrições que disse tratarem-se de arte com motivos geométricos e figuras de animais. Os sulcos destas insculturas chegam a 2 cm de largura e meio centímetro de profundidade, deixando ver ainda resíduos de tinta vermelha e amarela nas partes com incisão.

Em 1931 Melchiades Borges copiou várias inscrições nas proximidades de Altamira e encontrou painéis com signos agrupados, muito parecidos com uma escrita. Uma destas gravuras foi encontrada no local chamado de Belo Horizonte, uma ilha do rio Xingu, com signos semelhantes a letras latinas. Uma outra gravura foi também copiada por este pesquisador, tendo sido encontrada no lugar chamado de São Gonçalo, à margem esquerda do rio Xingu, no município de São Félix do Xingu.

Ilha dos Martírios



As inscrições do Rio Araguaia, em Martírios, são misteriosas e sua simbologia continua indecifrável. Após sua descoberta passaram a ser conhecidas como Martírios do Araguaia, nome dado pelos bandeirantes que as encontraram, por pensarem tratarem-se de representações da coroa e dos instrumentos da crucificação de Jesus. Desde o século XVII são conhecidos os estranhos sinais que foram encontrados às margens do Rio Araguaia, na ilha do Bananal, do lado do estado de Tocantins. Os bandeirantes foram os primeiros homens, ditos civilizados, que por ali estiveram naquela época e encontraram aquelas estranhas marcas talhadas na pedra. Elas, no entanto, continuam até hoje envoltas em mistério, ocultando seu sentido verdadeiro, pois desde que foram descobertas não se conseguiu desvendar o seu significado e quem as teria feito. Grande parte dos pesquisadores as vêm como petrogravuras deixadas por povos que aqui viveram há milênios, não se podendo, entretanto, determinar com presteza quando teriam sido insculpidas e quem teriam sido seus autores. O certo é que elas mostram estranhas figuras que em nada se assemelham a algo que pudéssemos no momento, compará-las.

Acre

O desmatamento crescente na Amazônia também acabou por desvelar novos mistérios desta região, que ainda é um dos redutos que continuam ocultando segredos de um passado longínquo de nosso planeta. Na medida em que as fazendas avançaram sobre a floresta, novas descobertas de caráter arqueológico começaram a surgir. As mais recentes destas estão relacionadas às figuras geométricas de grandes proporções que foram encontradas sob as matas e que foram chamadas de geoglifos pelos pesquisadores. Estavam ocultos pela floresta densa.

Vistos do solo, não podem ser identificados perfeitamente, podendo ser observadas apenas valas profundas com cerca de 3 m de profundidade. Quando estes são vistos do alto, entretanto, se apresentam como gigantescas figuras retilíneas (quadrados, retângulos, círculos, etc.) cavadas no solo, apresentando uma visão harmoniosa e enigmática ao mesmo tempo. O mistério está em que se tratam de traços retilíneos e curvilíneos precisos, formando gigantescas figuras geométricas que só podem ser vistas do alto, a cerca de 400 m de altitude. Tais demonstrações de arte ou tecnologia estavam encobertas pela selva e deixam mais uma grande interrogação sobre o passado de nosso país. Foram identificados um quadrado de cerca de 80 m com um círculo no seu interior com 70 m de diâmetro, além de retângulos, quadrados e círculos isolados, chegando alguns destes últimos a alcançar até mesmo 350 m de diâmetro.

O arqueólogo Marcos Vinicius Neves estudou estas figuras e disse que foram chamadas de geoglifos, os quais podem ser encontrados nos vales próximos aos rios Acre, Iquiri e Abunã, entre as cidades de Xapuri e Rio Branco. A partir de 1977, quando as formações geométricas foram vistas pela primeira vez, já foram encontradas mais de uma centena delas. Próximo a estas foram também encontrados fragmentos de cerâmicas, que os pesquisadores disseram tratar-se de reminiscências de povos indígenas que teriam vivido ali por volta de 800 a 2500 anos atrás. Os geoglifos acreanos só puderam ser vistos mais recentemente, após a derrubada da floresta para formação de pastagens para criação de gado, o que deixa claro que eles teriam sido “construídos” há muito tempo, pois estavam recobertos pela mata densa. Diante disto e de suas formas extravagantes traçadas em solo brasileiro, surgem indagações enigmáticas e perguntas que aguçam a nossa mente, aguardando por uma reposta que possa dar-lhes uma razão lógica de existir onde eles foram encontrados, por quem foram construídos e por quê.

Marajó



Neste trabalho não poderíamos deixar de mostrar também a questão das culturas cerâmicas da Amazônia, considerando-se que carregam elementos muito sofisticados na sua produção e decoração, levantando uma forte impressão de que possam ter sido inspiradas em algo muito complexo existente na antiga cultura desses povos ou em algo que muito teria impressionado os seus autores.

Excepcionalmente, as peças funerárias carregam uma complexidade de formas e figuras, ora pintadas, ora gravadas mediante o processo de excisão e incisão, além de apliques em alto relevo, dando-lhes um aspecto de beleza e mistério.

É incontestável o elevado grau de qualidade que os oleiros marajoaras conseguiram desenvolver em suas peças, oleiros estes, que os estudiosos afirmam tratarem-se somente de mulheres. Diante da sofisticação encontrada em sua “arte”, ousamos aventar a hipótese de que deveriam haver também oleiros e artistas homens trabalhando nestas peças ou então estas mulheres, exímias ceramistas e de elevados dotes artísticos, teriam tido contato direto com os caciques e pajés da tribo, que eram os repositórios vivos da tradição e da simbologia de seu povo, para reproduzirem tantos elementos simbólicos de elevada significação e de rara beleza.

As figuras representadas na cerâmica marajoara nunca apresentam uma forma clara e definida, mostrando variações inesperadas e rebuscamentos que exigiriam um grau de inteligência mais refinado. Em geral, os elementos que compõem estas decorações parecem todos estarem associados a uma idéia e relacionados entre si, pois revelam interligações curiosas e desconcertantes. Muitas destas formas representadas mostram estreita relação com figuras e signos encontrados em culturas de outros povos bem distantes, não se considerando neste propósito figuras simples como linhas, círculos e pontos, que são amplamente utilizados em toda a face da Terra.

Muiraquitãs e ídolos de pedra

Apesar de as peças arqueológicas chamadas de muiraquitãs e ídolos de pedra não estarem diretamente relacionadas à tradição dos povos indígenas do Brasil estas foram também aqui incluídas porque foram encontradas na região do rio Tapajós, perfazendo um mistério especial à parte. No que se refere ao problema dos muiraquitãs, a sua feitura e o material utilizado nos mesmos continuam sendo uma grande interrogação a ser respondida pelos pesquisadores, pois na maioria das vezes foram esculpidos em pedra verde de extrema dureza e seus talhes são muito precisos, na maioria dos casos. 



Em relação aos ídolos, não encontrados em grande quantidade, entende-se que venham caracterizar-se num grande desafio para a compreensão do que teria acontecido no passado do Brasil, pois se tratam de esculturas em pedra muito bem trabalhadas, abordando figuras extremamente enigmáticas que não faziam parte da vida regular dos grupos ceramistas que viveram por aquelas paragens. De fato, não foram encontradas muitas destas peças na região do rio Tapajós. Seriam cerca de 20 delas, segundo o arqueólogo André Prous, que disse terem as mesmas aproximadamente de 15 a 20 cm de tamanho. Sua presença na região torna-se inusitada, pois não se tem notícia de que aqueles povos tenham trabalhado em esculturas em pedra como estas, senão apenas em barro dentro do contexto cerâmico, já bem conhecido dos pesquisadores arqueológicos.

Tanto a questão dos muiraquitãs quanto a dos ídolos esculpidos em pedra de considerável dureza, causa impressão forte nos observadores da história brasileira e não podem, mesmo que por vezes ignorados, enquadrarem-se no contexto histórico dos silvícolas que aqui viviam quando da chegada dos portugueses ou mesmo receberem explicações convincentes por parte dos estudiosos. Perfazem estes um enigma que continua a perturbar a lógica de todos aqueles que se interessam pelo estudo do passado do Brasil.

Tanga ou babal

Em meio aos variados objetos cerâmicos encontrados especialmente na região do Pacoval (bananal) do Arari, destacamos as pequenas peças de argila que foram denominadas nas pesquisas posteriormente feitas como “tanga” ou “babal”. Este fator inusitado mostra uma espécie de exclusividade de manifestação cultural, pois não se tem notícia de que outro povo no Brasil tivesse se utilizado de artifícios desta natureza, além de que tratava-se de uma objeto original, ricamente decorado e ao que parece, individual e único. O escritor Gastão Cruls chamou estas pequenas peças de “babal” e disse que esta é a palavra da tribo Aruan utilizada para designar a tanga, cujo significado seria também o de avental. Disse ainda que esta peça feminina vem de uma cultura pré-colombiana.



Este adorno é considerado como um dos objetos mais perfeitos que foram encontrados nos tesos de Marajó, tanto no que se refere à qualidade do material utilizado para fazê-los, quanto à própria elaboração dos mesmos, incluindo ainda a sofisticada decoração, quase nunca repetida. Gastão Cruls afirma em seu livro “Hiléia Amazônica” que além de serem peças caprichosamente elaboradas, em exames feitos em mais de seis dezenas delas, não foi encontrada nenhuma repetição na sua decoração sendo, portanto, como se fosse uma peça única neste detalhe. Informa-nos também Angyone Costa em seu livro “Introdução à Arqueologia Brasileira” que “ordinariamente essas tangas eram fabricadas com muito mais cuidado do que os vasos mais ricos. A argila que lhes era destinada, depurada de quaisquer grãos de areia e muito mais cautelosamente preparada que a louça, achatava-se até adquirir a espessura de 5 a 7 milímetros.”

Estas peças vêm acrescentar mais lenha na fogueira do mistério que envolve o passado do Brasil, pois obrigam-nos a pensar de um modo diferente quando remontarmos a esses povos que viveram nestas antigas terras sulamericanas e que surgiram e desapareceram misteriosamente sem deixar rastro, a não ser uma grande quantidade de peças cerâmicas de elevado grau de sofisticação.

Nordeste

A região nordeste do Brasil é, pode-se dizer, uma das mais privilegiadas em registros rupestres de caráter mais complexo e em sua grande incidência podemos encontrar também inscrições variadas com caracteres mais comuns, entremeados de outros que carregam simbologias mais sofisticadas. Vamos anotar algumas destas últimas e expor para o julgamento do leitor qual teria sido a razão de grupos humanos terem-se mobilizado para desenvolver trabalhos como estes e com que objetivo essencial, a não ser o de transmitir algo de forma mais perene para alguém no futuro. Saberiam certamente, que registros feitos em pedra teriam maior possibilidade de resistir ao tempo e às intempéries.

Seridó

A região de Seridó é muito rica em inscrições rupestres de conteúdo mais avançado. Os atuais pesquisadores confirmam que as datações podem chegar próximo de 10 mil anos, ou seja, que os registros ali encontrados se tratem de constatações de ocupações humanas naquele local em época bem remota. Para estes, as pinturas rupestres da tradição do Seridó espelham os anseios e o contexto social dos grupos de caçadores-coletores nesses tempos passados. Nos abrigos deste sítio são encontradas representações de embarcações estilizadas, motivos geométricos, antropomorfos e zoomorfos.



Nesta região correm os rios Seridó e seus principais afluentes, Carnaúba e Acauã, onde se encontram alguns municípios dos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba, constituindo-se de uma área menos árida do nordeste. Foi nesta localidade de Carnaúba dos Dantas que se deram as primeiras pesquisas arqueológicas do ilustre brasileiro José Dantas, quando o mesmo acabou por reunir em um volumoso e raríssimo manuscrito, denominado “Indícios de uma Civilização Antiqüíssima” os seus estudos, escritos e reproduções das itacoatiaras. Hoje, o mesmo encontra-se arquivado no Instituto Histórico Paraibano. Se tratam de registros muito importantes por sua rara expressividade e o próprio pesquisador José Dantas, em seu manuscrito, destaca a excepcionalidade destas inscrições lapidares ao escrever:

“Perscrutando bem a impressão desses desenhos e o sentido que eles revelam pude concluir que, não se trata da existência do gentio brasileiro e sim de uma antiqüíssima civilização pré-histórica, talvez dos tempos neolíticos, pelas formas e sinais que apresentam essas figuras em contraste com as dos indígenas, historicamente conhecidos.”

Pode-se perceber nas ilustrações aqui inclusas que não se tratam de rabiscos comuns, mas de uma manifestação pensada com estética e beleza, ao mesmo tempo em que nos parece pretender transmitir uma mensagem intencional ou mesmo uma espécie de escrita.

Xingó



A região do Xingó localiza-se nos platôs dos estados de Sergipe e Alagoas, onde se encontram diversos registros da presença humana na área que teria sido descaracterizada pela Hidroelétrica de Xingó a partir de 1988. Foram localizados 15 sítios rupestres com cerca de 1400 gravuras e pinturas ao longo dos “cânions” rochosos dos afluentes do rio São Francisco nestes dois estados. A arqueóloga Suely Silva realizou levantamentos fotográficos, topográficos, filmagens e cópias dos registros encontrados na região, com a descrição detalhada dos mesmos no intuito de “salvá-los” da destruição ocasionada pelo tempo e por outros fatores difíceis de serem controlados pelos pesquisadores, como o vandalismo, por exemplo.

Segundo as análises feitas os grafismos podem ser classificados em diversas categorias, podendo se notar que os não figurativos compõem a grande maioria dos mesmos. A maioria destes foi distribuída em círculos, cúpulas, semicírculos, bastonetes, linhas, grades, ziguezagues, figuras losangulares, setas e figuras geométricas, além de outros objetos como pirogas, luas, sóis e representações multiformes de caráter desconhecido. Os figurativos são representados por mãos, figuras antropomorfas, zoomorfas e tridáctilos, que foram relacionados a pegadas de aves, por causa de sua forma sempre ternária de representação.

Apesar disto a pesquisa na região não pôde identificar se as gravuras e pinturas catalogadas teriam sido produzidas por grupos humanos diferentes. Alguns sítios parecem ter sido agrupados em função de uma temática específica, porém, ao nosso ver, em uma quantidade significativa destas manifestações rupestres existe algo mais, como se seus autores pretendessem transmitir uma idéia ou estivessem “escrevendo” uma mensagem para a posteridade.

Pedra do Ingá - Paraíba



Há uma variedade de formas gravadas no painel principal da Pedra do Ingá, como já mostramos anteriormente, como linhas retas, pontilhadas, espirais, canais paralelos, curvos, circulares e lineares, mas não se podem ver, conforme observa, figuras triangulares nem ornamentais. Segundo pensa, tratam-se de símbolos que tentam materializar uma idéia específica, pois encontrou traços significativos que fundamentam tal pensamento, formas silábicas e ideográficas que procuram “uma função determinada na comunicação escrita”. Neste sentido destacou alguns caracteres (exemplificados no quadro abaixo), para aventar a hipótese de que somente uma forma de inteligência, é que poderia ter criado aquele painel ordenado de mensagens cifradas, certamente, com a finalidade de levar até o futuro as impressões culturais de seu povo. Abaixo apresentamos quadro com exemplos da classificação tipológica comentada por Gilvan de Brito.

Pedra de Picuí ou Retumba – PB




Este monumento lítico foi descoberto pelo engenheiro de minas Francisco Soares da Silva Retumba no ano de 1886, que desenvolvia trabalhos na região da então Província da Paraíba. Segundo o pesquisador Vanderley de Brito, ao encontrá-la às margens de um afluente do rio Seridó, fez dela uma cópia integral e a enviou juntamente com seu relatório para o presidente da Província. Atualmente este enigmático painel pré-histórico e de excepcional concentração de signos desconhecidos, encontra-se soterrado pelo aluvião do rio Cantagalo, afirma Vanderley de Brito, e não pode ser mais visto.

O nome que lhe foi dado de pedra do Retumba está relacionado a uma homenagem ao engenheiro paraibano que preservou o seu conteúdo numa reprodução de suas inscrições da forma mais fiel possível. Atitudes como esta, nos dias de hoje, são raras e merecem grande louvor, pois foi por causa deste ato de elevado sentido cultural e de respeito pela história, que pudemos conhecer um pouco da complexidade de seus signos de caráter profundamente abstrato.

Analisando-os detidamente, tem-se a impressão de que seus criadores quiseram representar o céu estrelado e suas constelações ou uma escrita cosmogônica. Suas inscrições são constituídas de símbolos variados, alguns de difícil compreensão, como pode ser visto na ilustração abaixo. Em geral, apresentam uma variedade de cruzes, círculos, pontos capsulares e traços direcionados dentro de um princípio lógico, mostrando-se por inteiro como um perfeito esquema de idéias orientadas segundo uma condução inteligente.

Não se parecem com traços aleatórios ou rabiscos sem sentido, simplesmente agrupados por obra do acaso ou segundo a vontade de pessoas sem discernimento.

A pedra lavrada de Picuí ou Retumba, no norte da Paraíba, parece-nos mais uma demonstração de que nossos antepassados brasileiros, anteriores aos silvícolas, conheciam uma forma de escrita, uma vez que seu conjunto se mostra pleno de signos ajustados de forma a conduzirem-nos a uma espécie de raciocínio lógico, apesar de não podermos ainda compreender o seu significado.

Chapada Diamantina – BA




Localizada no interior do estado da Bahia a cerca de 400 km do litoral, a Chapada Diamantina é uma região profusamente diversificada, permeada por vales profundos, cachoeiras, rios de água cristalina, grutas e cavernas. A partir de 1820 foram descobertas jazidas de diamante nas proximidades da chapada, o que atraiu muita gente para lá, mas com a exaustão destas minas a região voltou a ser pacata novamente, recuperando sua característica anterior. Hoje o Parque Nacional da Chapada Diamantina procura preservar sua natureza, o belo cenário que se estende por toda a região, sua fauna e sua flora.

Nos limites do Parque estende-se ainda toda a Serra do Sincorá, que possui picos com altura de até 400 metros, além de cidades históricas, remanescentes da época da extração de diamante: Lençóis, Andaraí, Mucugê e Palmeiras. Estas não passam de pequenas cidades estagnadas em seu crescimento, permanecendo somente alguns sinais de sua época de esplendor, alguns antigos habitantes e casarões dos senhores abastados daquele tempo.

Entretanto, não poderíamos deixar de mencionar aqui as estranhas inscrições rupestres que existem próximo dali, das quais tomei conhecimento através de um contato, via Internet, com uma pessoa da região chamada Thatiana Cafiero, com a qual, falei também por telefone. Estas se localizam no município de Caitité, próximo à Chapada, no local chamado de Brejo dos Veados – Moita dos Porcos e, de acordo com as fotografias que ela me enviou, parecem-se tratar de uma escrita regular, cujos caracteres se assemelham aos das línguas do oriente médio, lembrando o fenício e o hebraico.

Tais caracteres, exemplificados acima, apresentam-se em baixo relevo e apesar de já desgastados pelo tempo, ainda mostram contornos bem definidos de uma proposta intencional de transmitir conhecimento e não podem ser analisados, segundo o nosso ver, como traços aleatórios produzidos sem uma intenção deliberada e inteligente.

Vale dos Sonhos – MT



A região denominada Vale dos Sonhos é lindíssima e cercada por extensos planaltos que se perdem diante dos olhos, até o horizonte, além dos maciços pétreos com seus recortes inusitados. Próximo a esta localidade, numa fazenda no alto da serra e a cerca de 80 km dali existe um grande maciço pétreo, curiosamente recortado no meio da mata. Próximo a ele encontram-se outras formações rochosas extravagantes, mas o que mais chama a atenção nesta lapa, é que ela possui janelas e janelões em diversas partes, que levam ao seu interior e onde se podem ver salas formando confortáveis abrigos.

Este significativo pedregulho está localizado na fazenda do Sr. Moretti, no alto da Serra do Roncador. É o que poderíamos chamar de um conjunto megalítico de características excepcionais, como se fosse uma grande casa de pedra isolada num extenso planalto. Além disto, possui em seu interior significativa quantidade de registros rupestres em baixo relevo muito sofisticados, mostrando círculos entrelaçados, signos desconhecidos, figuras geométricas e sinais capsulares, como podem ser vistos nas ilustrações acima feitas por este autor.

Poxoréo - MT


Existe uma vasta região no centro oeste brasileiro onde se localiza a pequena cidade de Poxoréo, a sudeste do estado do Mato Grosso, que também guarda uma grande quantidade de registros arqueológicos e mistérios que não podem ser explicados com muita facilidade pelos pesquisadores.

Em nossas andanças pela região chamada de São Paulo da Raizinha descobrimos dois outros abrigos enquanto procurávamos o que havia sido descoberto por Sávio Egger, nosso acompanhante, e fomos tomados de grande alegria e espanto ao nos depararmos com novos caracteres semelhantes a uma escrita primitiva.

Em todos estes três abrigos que visitamos podem ser vistas insculturas que levantam severos questionamentos em relação ao que poderiam estar representando, como também em relação à metodologia aplicada no seu feitio. Algumas inscrições foram traçadas de forma retilínea e precisa, sendo necessário para isto utilizar-se de um instrumento adequado e um certo conhecimento, uma vez que se tratam de inscrições na rocha viva e com traços muito precisos e concatenados. Alguns destes pareciam ter sido “impressos” de forma modelada e outros eram constituídos de traçados e cortes tão retilíneos que se assemelhavam a trabalhos feitos por meio de máquinas elétricas de corte, onde nas junções deixam escapar pequenas falhas além do limite imposto pela figura. Alguns destes estão representados nas ilustrações acima.

Serra JK – GO



São misteriosos os caracteres gravados em baixo relevo no lajedo JK, próximo a Brasília, cuja idade é desconhecida. Estes se espalham por cerca de 500 m2 e são conhecidos pelas pessoas da região como “letreiros do lajedo”. Uma pergunta fica sempre no ar quando nos deparamos com as inscrições misteriosas como estas, encontradas em terras brasileiras e que são, notadamente, muito anteriores a quaisquer das avaliações feitas pelos pesquisadores. Quem as teria feito? E com que finalidade? O que pretendem elas transmitir?

O que causa espanto e uma sensação indefinida e inquiridora é que estas se mostram em lugares variados, os mais imprevistos e longínquos, e não deixam a mais leve perspectiva de mostrarem-se compreensíveis, pois, ao que parece, guardam um código secreto que possibilitaria sua decifração e que é difícil de ser detectado pelos estudiosos.

Assim são também estranhos estes símbolos gravados no lajedo JK, em baixo relevo, que se apresentam como um conjunto de caracteres justapostos, círculos concêntricos, linhas que os interligam, pontos capsulares e figuras indefinidas. Os moradores da região chegaram a atribuir aos negros a autoria destes símbolos riscados na rocha viva, porém, estudos arqueológicos na região apontaram que sua idade pode variar de 4000 a 6000 anos. Desta forma fica claro que nem os negros nem os povos indígenas poderiam ter sido os autores daquelas insculturas, por causa de sua longevidade e por falta de condições tecnológicas para executá-las, além de contrariarem os princípios culturais destes grupos, sobejamente conhecidos dos historiadores.

Mara Rosa – GO



O município de Mara Rosa fica no interior do estado de Goiás, a 380 km de Goiânia, na direção norte do estado e não seria jamais noticiado, se não fossem as estranhas insculturas encontradas em suas proximidades. Estas se localizam na Fazenda Santo Antonio a 22 km da cidade e o pesquisador Antonio Carlos Volpone esteve na região e ficou impressionado com sua simbologia.

Os desenhos foram feitos em baixo relevo em uma grande pedra, mostrando um conjunto belo e estranho ao mesmo tempo, como se fosse um relato importante de algo de profunda relevância que teria acontecido na região. A visão do conjunto pode inspirar também que se tratasse de uma simbologia cercada de chaves secretas, que não permitiriam sua decifração, aleatoriamente. De fato, se observarmos seus riscos paralelos, círculos, quadros, rodas raiadas como sóis e linhas curvas, criteriosamente produzidas, poderíamos mesmo pensar que se tratassem, efetivamente, de uma mensagem codificada, abandonada no interior selvático do Brasil.

O certo é que estas inscrições gravadas na rocha não se parecem em nada com desenhos insculpidos por indivíduos sem um conhecimento definido, pois apresentam proporcionalidade e características bem fundamentadas, apesar de que ainda indecifráveis. Assemelham-se a diagramas técnicos como num relatório elaborado por especialistas ou quem sabe, a uma simbologia hierática, velada pelos contornos profundos na rocha maciça. Pode-se dizer que este conjunto de signos coloca-se dentre os que mais se destacaram pela sua estranheza e complexidade, e vem engrossar, certamente, o volume dos mistérios a respeito das enigmáticas petrogravuras que são encontradas em todo o território brasileiro.

Pedra Preta – MT



Situada no município de Paranaíta, ao norte do estado do Mato Grosso, a Pedra Preta é considerada pelos pesquisadores como o maior conjunto de petrogravuras já encontrado no Brasil. Trata-se de uma grande elevação de granito calcinado de cor negra, que à primeira vista não apresenta nenhuma atração. Porém quando os sulcos riscados profundamente na rocha foram contornados com giz pelos pesquisadores que ali estiveram, começaram a surgir figuras extremamente complexas, que passaram a sugerir que se tratava de um registro milenar deixado por povos de um longínquo passado.

Pedra Preta foi pesquisada pela expedição arqueológica do Projeto Tapajós, constituído pelo arqueólogo amador Heinz Budweg, pelo arqueólogo e linguista Luiz Caldas Tibiriçá, pelo etnólogo alemão Günther Hatmann, pelo geólogo, espeleólogo e fotógrafo científico Adriano Gambarini, pela numeróloga Edna Gasparotto e Álfio Beccari. Na medida em que estes foram preenchendo os sulcos com giz, começaram a se destacar diversas figuras, algumas de aspecto zoomorfo, outras de formas circulares concêntricas, pontos capsulares, linhas tortuosas, sóis e outras representações desconhecidas.

Segundo opinião do pesquisador Budweg as petrogravuras encontradas poderiam ter sido feitas por civilizações mais antigas, há cerca de 4 ou 5000 anos a.C. e que não se tratariam de arte indígena, por causa de sua complexidade e da metodologia utilizada para riscar as formas na pedra. Também o professor Luiz Caldas Tibiriçá, que se especializou na língua tupi-guarani, pensa que tais inscrições são muito anteriores ao tempo dos povos indígenas.

Foram ainda encontradas na região de Paranaíta outras inscrições, além de sete alinhamentos construídos em pedra, que pareciam ajustados de forma a demarcar algo importante. Os arqueólogos acadêmicos, entretanto, permanecem céticos em relação a determinados “achados” em terras brasileiras e afirmam que os povos indígenas que habitavam o Brasil eram muito mais desenvolvidos do que se pode imaginar, atribuindo a estes, grande parte dos registros executados em pedra e encontrados por toda a parte.

Alto Sucuriú – MS



Existem cinco sítios arqueológicos de significativa importância na região chamada de Alto Sucuriú, ao nordeste de Mato Grosso do Sul, dos quais, quatro já foram pesquisados, demonstrando possuírem uma vasta e variada quantidade de motivos rupestres que vamos aqui comentar. O arqueólogo Marcus Vinícius Beber fez um estudo minucioso sobre estes quatro sítios, fazendo reproduções dos registros encontrados e uma descrição pormenorizada da tipologia dos signos, apesar de que afirma que a grande maioria das figuras não pode, de forma imediata, ser interpretada quanto ao seu significado.

Segundo o pesquisador, o primeiro sítio possui um único painel de pinturas com 25 figuras espalhadas, constituídas por manchas avermelhadas por causa de sua antiguidade. Seu tamanho é considerável, chegando a medir 146 cm de comprimento e 82,53 cm de altura, localizando-se a cerca de um metro do chão.

O segundo sítio é conhecido como “casa de pedra”, pois é constituído de um grande bloco de arenito com cinco salões em seu interior, onde podem ser encontrados muitos registros rupestres em diversos de seus salões. O terceiro sítio arqueológico é constituído de um grande bloco de arenito, contendo dois abrigos em seu interior. Possui apenas três painéis no primeiro abrigo com figuras tipo geometrizadas, linhas e curvas justapostas.

O quarto sítio interessou-nos particularmente por apresentar conjuntos de figuras em painéis compostos de uma variedade de motivos que nos fazem indagar se não estariam representado uma mensagem, dada a sua complexidade e agrupamento de signos, conforme pode-se ver na ilustração apresentada abaixo. Queremos destacar que os painéis do segundo sítio, apresentados pelo pesquisador Beber, também apresentam figuras bem significativas e enigmáticas. Este quarto sítio é constituído de três conjuntos de blocos de arenito, formando abrigos em seu interior decorados com uma grande quantidade de figuras da chamada “arte” rupestre. São em grande número os painéis que foram encontrados nestes três blocos de pedra e as pinturas que ali existem são muito variadas, apresentando formas geométricas em predominância, marcas de pés humanos e de animais, linhas curvas isoladas, paralelas e sinuosas, retas isoladas e retas que se cruzam, elipses e círculos simples ou associados a outros sinais.

Em sua grande maioria foram reproduzidos em tinta vermelha a partir do óxido de ferro, misturado com gorduras animais ou água, conforme os pesquisadores.

Maciço Urucum – MS




Os sítios com petrogravuras encontrados na localidade chamada de Maciço Urucum, a oeste do Pantanal do Mato Grosso do Sul, se caracterizam basicamente por insculturas feitas sobre a rocha, em situação horizontal e em grandes extensões. Em sua maioria as gravuras em baixo relevo são representadas por círculos e curvas, conforme a designação feita por estudos arqueológicos e teriam sido produzidas através de sulcos profundos na rocha pelo método de raspagem ou picoteamento. É interessante notar que as figuras parecem ter ligação umas com as outras, pois muitas delas se acham interligadas por sulcos curvos traçados de forma a construir esta coesão entre elas.

Os pesquisadores já localizaram cinco sítios na região com inscrições semelhantes, agrupadas conforme descrição anterior, por meio de linhas sulcadas na pedra e unindo algumas das figuras produzidas no conjunto. Os próprios estudiosos aventam a hipótese de que estas ligações tenham sido feitas intencionalmente e que este monumental acervo histórico teria sido produto de culturas que viveram na região, notadamente as populações indígenas tupi-guarani que teriam se estabelecido naquele planalto em período pré-colonial.

Apesar de os estudiosos afirmarem que os grafismos do Maciço Urucum sejam reproduções de difícil compreensão, por não conhecerem os significados do que foram ali representados, pensam mesmo assim que poderiam ter sido idealizados e “trabalhados” por populações indígenas, populações estas que sequer conheciam tais signos nem os teriam representado em suas produções cerâmicas, abundantes em todo o território brasileiro, além de que não se consolidou ainda a idéia de que os povos indígenas teriam desenvolvido o hábito de fazer gravações como estas em pedra.

São Tomé das Letras



É uma cidade do sul de Minas Gerais que se localiza no alto de uma montanha de itacolomito e quartizito a cerca de 1300 m de altitude, na magnífica região da serra da Mantiqueira. Possui diversas grutas e cachoeiras em torno e formações rochosas que apresentam figuras variadas, dando-lhe um cenário pouco comum e de rara beleza.

Com relação às suas inscrições rupestres, emitem-se teorias, segundo as quais, elas teriam sido feitas pelos índios cataguazes ou que poderiam ser de origem fenícia. O certo é que elas são compostas de caracteres desconhecidos e aquelas que se encontram no centro da cidade, se acham em destaque, no alto, como um marco secreto, de difícil acesso. Chegou-se efetuar pesquisas geológicas na região e afirmaram os pesquisadores que as inscrições poderiam ser derivadas de um musgo avermelhado, que quando surge nas camadas de rochas produzem desenhos variados. Este musgo é conhecido como lichen cladonia sanguinea e é muito encontrado nas rochas da região. Apesar de a cor das inscrições serem também avermelhadas, podemos observar com nitidez que existe uma diferença entre a atuação do musgo e a lógica das “letras”, que possuem forma definida e ocupam um espaço determinado, além de que, alguns de seus caracteres se assemelham a outros, encontrados em outras partes do Brasil. Elas mais se parecem com uma grafia, deliberadamente “escrita” como se tivesse sido feita com a ponta do dedo ou um objeto semelhante, possuindo, assim, largura mais ou menos homogênea.

Montalvânia



Localiza-se no norte de Minas Gerais, quase divisa com a Bahia, às margens do rio Cochá, afluente do rio São Francisco. Possui também muitas grutas repletas de inscrições e formações rochosas exuberantes destacando-se na aspereza do sertão agreste. Seus enigmáticos painéis de insculturas chamam a atenção pela grandiosidade, além de possuir também outras inscrições gravadas por meio de pintura nas cores preta, vermelha, amarela e branca, representando figuras estranhas, mas com forte expressividade.

O que se poderia hoje refletir a respeito das incríveis inscrições de Montalvânia é que, inexplicavelmente, seu milenar acervo arqueológico se mostra como um imenso registro de figuras zoomorfas, humanóides e uma complexa simbologia, como um verdadeiro arquivo lapidar de muitos elementos, perdidos em um meio severamente hostil. Desta forma, apresentam possibilidades mínimas de compreensão, em face dos métodos e conhecimentos atualmente existentes e de sua real complexidade. Talvez esta farta “narrativa” gravada em baixo relevo e em pinturas multiformes, tenham sido produzidas para, em futuro próximo, fazer provas junto à humanidade de que esta região possui algo mais a mostrar a respeito de seu passado e que ficou encoberto pela bruma do tempo. Destacamos algumas figuras que podem ser encontradas no meio de seu emaranhado de signos cortados na pedra por meio de picoteamento, como se fosse um livro pétreo entreaberto para todos aqueles que tenham a pretensão de desvendar o seu fascinante mistério.

Vale do Peruaçu – MG



Localiza-se no norte de Minas Gerais e pode-se dizer que se trata de mais uma das regiões misteriosas que o Brasil possui, com seus magníficos maciços montanhosos, vales imensos e variadas inscrições rupestres em muitas de suas grutas e em seus paredões. Localiza-se às margens do Rio Peruaçu que o percorre por cerca de 120 km num esplendoroso vale, até desembocar no Rio São Francisco. Este sítio arqueológico é um dos mais importantes do continente americano e suas grutas se localizam entre os municípios de Januá-ria e Itacarambi.

É também a maior reserva espeleológica de Minas Gerais e suas inscrições rupestres, segundo os estudiosos, podem ter mais de 12 mil anos. Ali também podem ser vistos grandes cânions com paredões verticalizados e formações curiosas na pedra. Existem também os baixos-relevos com estilos variados e muitas pinturas caracterizadas por formas geométricas, de animais e de plantas.

Próximo ao cânion, segundo informações, está a Lapa do Malhador e mais no interior do vale, a Lapa do Caboclo. Segundo dizem, na Lapa dos Desenhos é onde podem ser encontradas pinturas com múltiplos motivos e de cores variadas. Alguns destes painéis chegam a possuir até dez metros de altura, com figuras humanas representadas, animais e formas geométricas coloridas em vermelho, em amarelo e em preto.

O pesquisador Joaquim Perfeito da Silva fez um trabalho analítico em Peruaçu e afirmou que alguns dos motivos foram executados com tinta pastosa vermelha, enquanto que outros parecem ter sido riscados com um tipo de bastão amarelo, além de que, um dos painéis estudados por ele está localizado no teto da gruta a uma altura de dois metros, onde se acham registrados animais, figuras humanóides, figuras geométricas e outras figuras.

Joaquim Perfeito defende a hipótese de que é relevante considerar que existe muita similaridade entre as narrativas xamânicas e as pinturas rupestres encontradas em muitos lugares e, com isto, também estamos de acordo. O destaque dado a certas figuras representadas no painel bem que poderia estar relacionado a seres mitológicos reverenciados em seus cânticos religiosos, porém, devemos considerar também que outros acontecimentos e percepções importantes poderiam ter influenciado esses homens de antanho para produzirem sua obra de “arte”. Não se deve deixar de observar que nos painéis encontrados na parte externa da Gruta do Índio pode-se notar a presença de caracteres justapostos como letras, e muitos outros signos, dos quais, não se pode saber, com precisão, o seu significado ou o que seus executores pretenderam com estes representar.

Itapeva



É lamentável afirmar que este rico acervo arqueológico no interior de São Paulo, em Itapeva, praticamente desapareceu, restando dele apenas uma pequena parte de seu vasto complexo de registros milenares. É que o mesmo foi tragicamente dinamitado, preservando-se apenas uma reprodução completa de seus caracteres feita por volta de 1970. Trata-se do abrigo encontrado na Fazenda Água Limpa, da família Fraccaroli, cujo conjunto era constituído de um painel de cerca de 20 m. de largura e 3 m. de altura, na base de um paredão de arenito com cerca de 30 m. de altura. Nele se poderiam ver figuras pintadas nas cores vermelha e preta, destacando-se animais, signos estranhos, caracteres semelhantes a letras de alfabetos antigos, círculos e símbolos desconhecidos.

O pesquisador Luiz Galdino disse que este conjunto rupestre chamado de pedra do Sol foi trabalhado por seus autores utilizando de uma técnica mista, ou seja, todos os seus signos foram primeiramente cortados na pedra e depois pintados nas cores vermelho, amarelo e preto. A figura que mais se destacava do mesmo e da qual sobrou apenas uma parte, após sua mutilação, é a chamada representação do relógio do sol, uma gravação misteriosa constituída de dois círculos concêntricos e intercessões em toda a sua volta, como marcações de tempo. Ela mostra também diversos signos e parece querer representar uma espécie de escrita, como pode ser visto na ilustração acima.

Santa Catarina



Assim como em outras regiões destas misteriosas terras brasílicas Santa Catarina possui uma grande diversidade de registros em diversos lugares, os quais determinam a presença humana em tempos bem remotos de nossa história. Hoje estes se encontram agrupados em sítios arqueológicos para efeito de estudos, mas seus signos são possuidores de uma grande riqueza de detalhes e cuidados especiais por parte de seus executores. Vamos a seguir dar destaque a alguns destes sítios, mostrando o que mais de relevante eles possuem sob o enfoque do trabalho que estamos desenvolvendo, dando-nos elementos para consolidar nossa tese sobre o signário oculto que existe grafado em diversas regiões do Brasil.

A Ilha do Coral apresenta sítios importantes para o estudo da arqueologia. Dois painéis de grandes proporções mostram os famosos “letreiros” constituídos de conjuntos de sinais harmônicos riscados na rocha com grande maestria. Infelizmente, o painel localizado mais ao sul, segundo informações de pesquisadores locais, foi dinamitado na década de 1960, destruindo-se assim a maior parte de seus signos insculpidos. O painel que se acha localizado ao norte é o mais conhecido pelos pescadores e teve parte dele também destruída. Porém, sua maior parte ainda está bem preservada e é composto de círculos concêntricos, traçados retilíneos, formas triangulares, linhas sinuosas e ziguezagues bem delineados, conferindo-lhe ao mesmo tempo mistério e beleza de forma incomparável.

Segundo os pesquisadores na Ilha do Coral está localizada a maior concentração de petróglifos, dos quais, podemos citar os de formas círculares (aproximadamente 60% deles), figuras antropomorfas, triângulos, ziguezagues e linhas onduladas. São três sítios arqueológicos próximos uns dos outros que perfazem esta grande concentração de figuras circulares, justapostas e concêntricas, associações de formas triangulares com linhas em ziguezague e outras variações significativas e complementares.



Também em Urubici, cidade a 190 km de Florianópolis, vamos encontrar uma grande concentração de registros arqueológicos e formações rochosas com características excepcionalmente curiosas e belas. Além de inúmeros sítios arqueológicos já catalogados em suas cercanias, Urubici possui ainda muitas grutas, abrigos subterrâneos e formações rochosas monumentais. Lastimavelmente, também nesta região foram destruídos alguns destes sítios por caçadores de tesouros que acreditavam numa lenda antiga sobre a existência de minas de prata desde a época dos jesuítas. O nome Urubici tem sua origem na língua tupi-guarani e tem o significado sugestivo de “pássaro reluzente”.

O sítio arqueológico mais importante de Urubici é, sem dúvida, o do morro do Avencal, constituído de painéis que foram vítimas tanto da ação natural do tempo quanto da inescrupulosidade de visitantes despreparados. A rocha desta região é do tipo arenito e suas gravações foram feitas através de cortes profundos, caracterizando-a como baixo relevo ou inscultura. Em todos os painéis estão representadas figuras diversificadas, dentre as quais, quadrados, triângulos, figuras geométricas, pontos capsulares e formas pouco convencionais, reunidas de forma expressiva e concatenada, que dão ao conjunto uma visão ao mesmo tempo embaraçosa, de caráter puramente artístico, ou como se também fosse portadora de uma mensagem milenar. Os contornos de suas insculturas são lineares, diferentemente das que foram encontradas no litoral catarinense, caracterizados por traços largos e polidos. Muitas figuras geométricas fazem parte de seu contexto geral, tendo seus signos representados por retângulos ou quadrados preenchidos por linhas verticais, horizontais e obliquas, dando formação a outras figuras e signos com variada complexidade.

O padre Rohr que pesquisou a região em 1966 e publicou um livro sobre sua pesquisas (Os sítios arqueológicos do planalto catarinense) afirmou que encontrou resíduos de tinta preta nos sulcos destas inscrições, concluindo que estas foram assim preenchidas para lhes dar mais destaque à distância.

Rio Grande do Sul



Segundo os arqueólogos as manifestações rupestres encontradas no sul do Brasil recebem o título de tradição meridional. Em geral, estes sítios se acham localizados em regiões escarpadas, blocos de pedra isolados e em abrigos pétreos nas montanhas. A técnica utilizada por seus criadores é, em sua maioria, a da incisão ou polimento em rochas de arenito, sendo que a superfície das pedras era previamente preparada para o desenvolvimento do trabalho.

As insculturas não possuem sulcos muito profundos e representam geralmente figuras geométricas com a presença de traços paralelos, curvos ou cruzados. Em muitos desses traçados foram encontrados restos de pigmentação em cores variadas, como se quisessem dar destaque especial a certos conjuntos de caracteres.

Com exceção do Sítio Arqueológico D. Josefa, que apresenta um esboço de uma provável escrita, os demais são marcados por motivos mais comuns, característicos de povos nômades e de pouco desenvolvimento cultural. Incluímos estes sítios como testemunho de que no Brasil existe uma vasta demonstração daquilo que é chamado de “arte” rupestre e que, em muitos casos, como temos mostrado neste artigo, vão muito além de simples registros do cotidiano de antigos povos que aqui teriam vivido em épocas mais longínquas de nossa história.

Conclusão

É certo que não esgotamos aqui todos os lugares que podem possuir “construções” estranhas e registros históricos antigos no Brasil e isto ainda faz parte de nossos trabalhos eternos de busca. Os que aqui indicamos demonstram que existe algo a ser pesquisado, pois distanciam-se muito dos demais outros registros de conotações menos sofisticadas e que também podem ser vistos por toda a parte, sinalizando a existência de grupos selvagens que tinham um tipo de vida mais ou menos nômade e de menor valor elucidativo.

No encerramento desta exposição sobre as Cidades e Povos Perdidos do Brasil poderíamos dizer depois de tudo o que foi apresentado, que tais colocações se tratam apenas de lendas e invencionices de desocupados? Depois de tantos relatos, registros históricos e fotografias mostrando “construções” de um povo desconhecido e uma rica demonstração de trabalhos líticos com elevada sofisticação, estaríamos ainda dispostos a ignorar que algo de grandioso teria de fato ocorrido nestas terras que hoje são chamadas de Brasil?

Poderíamos não considerar nenhuma destas dissertações históricas, alijando-as definitivamente para o nicho da lenda e tentar explicar que muitas destas “construções” ou são recentes ou que foram feitas por grupos anteriores aos silvícolas, povos bárbaros e sem nenhum conhecimento especifico, ou até mesmo que tenham origem natural, sob a ação da água, do sol e dos ventos. Outro tanto poderia se dizer sobre as inumeráveis inscrições rupestres, classificando-as todas num fardo comum de manifestações primitivas, fechando os olhos para o detalhe do elevado grau de dificuldade na execução em muitos casos, sofisticação, elementos desconhecidos e similitude com “letras”, além de muitas outras representações de difícil compreensão. Todas estas coisas podem acontecer para justificar aquilo que insistimos em não querer ver, mas cremos que uma dúvida lancinante permanecerá para sempre atormentando a nossa consciência, pois no íntimo sabemos que muitas destas coisas não podem mesmo, sob nenhuma força que queiramos impor sobre elas, serem explicadas pelos métodos convencionalmente aceitos, respostas simples ou apoiadas no contexto sob o qual se apóiam os princípios da ciência e do saber contemporâneo.

Há muita coisa espalhada por aí, gritando em todos os recantos de nosso planeta e surgindo aos borbotões em toda a parte, indicando que a história conhecida da Terra tem muito mais a dizer sobre o seu passado mais longínquo e que a dita história desconhecida dos homens remonta a um tempo bem mais distante do aquele que estamos dispostos a reconhecer como referência para a pesquisa acadêmica.


* J.A. Fonseca é economista, aposentado, espiritualista, conferencista, pesquisador e escritor, e tem-se aprofundado no estudo da arqueologia brasileira e realizado incursões em diversas regiões do Brasil com o intuito de melhor compreender seus mistérios milenares. É articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br) e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA.


- Fotos e ilustrações: J.A. Fonseca.


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